Garimpando História


Quem narra a história é o jornalista e ex-deputado federal fluminense Sebastião Nery, em seu blog:
 
“Prata Braga era funcionário dos Correios e Telégrafos no Ceará. Como  todo bom cearense, um dia se cansou da vidinha tola e resolveu correr mundo. Pediu transferência. Deram. Recebeu um telegrama do serviço:
 
- ´Apresentar-se em Maracaju`.
 
José Prata [na verdade Luiz Gonzaga, diferente do que diz o Nery] não sabia onde ficava Maracaju. Foi olhar no mapa. Era no sul de Mato Grosso (ainda uno), perto de Aquidauana, para lá de Campo Grande. Arrumou suas coisas e partiu. Chegou a Maracaju, descobriu o equivoco. O telegrama estava errado. Era para se apresentar em Aracaju, Sergipe, perto, no Nordeste. Mas já estava em Mato Grosso, pediu para ficar lá, deixaram.
 
Prata era um despachado, como se diz no seu Ceará. Camisa aberta no peito, sem botão, nunca usou paletó. Em pouco tempo, virou figura popular em Maracaju. Vieram as eleições para prefeito em 1976.
                                               
MARACAJU
 
Prata queria ser candidato, não tinha legenda, porque as forças politicas  tradicionais da cidade já haviam fixado suas preferências nas legendas e sublegendas da Arena e do MDB. Prata insistiu, arranjou a 3ª legenda da Arena. Deram-lhe, ´para ajudar o partido`.
 
Derrotou todo mundo. Eleito prefeito, implantou seu estilo. O caminhão da prefeitura, a caçamba de carregar terra, o jipe do prefeito, os papéis internos, passaram a trazer seu slogan: ´É tempo de loucura`.
 
Faixas nas ruas, cartazes na porta da prefeitura, Prata cobriu Maracaju com seu slogan: 
 
- ´É tempo de loucura`. 
 
E o estádio de futebol ganhou o apelido ´O Loucão`."
 
O tempo passou, o sul do antigo estado virou Mato Grosso do Sul. Mas o slogam  continua fazendo parte da história da cidade hoje famosa pela "Festa da Linguiça de Maracaju".
 
E chamou a atenção do advogado e historiador Yves Drosghic, colaborador aqui do Blog, que, em visita à cidade, fez a foto acima da placa na Câmara dos Vereadores com a frase "E a loucura continua"... para que os leitores possam conhecer ou relembrar a história os "tempos de loucura" de Maracaju.
 
PS: A título de colaboração, o jornalista Jota Menon, que atua em Maracaju, informa: "No primeiro mandato o slogan foi ´É Tempo de Loucura` e, no segundo, ´A Loucura Continua`. O nome do ex-prefeito é Luiz Gonzaga Prata Braga e não José Prata, conforme grafou Sebastião Nery."




 
"Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu 1º discurso, na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu desempenho naquela assembleia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse-lhe em tom paternal :
 
– Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi demasiado brilhante neste seu primeiro discurso. Isso é imperdoável ! Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta.
 
Ali estava uma das melhores lições que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. Encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar."




 
Era a campanha eleitoral de 1994, quando FHC iria se eleger pela primeira vez presidente da República. Em Campo Grande (MS), toca o telefone do cantor e compositor Paulinho Simões... 
 
Do outro lado da linha, era o jornalista Onofre Ribeiro, de Cuiabá (MT), então assessor de Jonas Pinheiro, que disputava uma das duas vagas ao Senado do vizinho Mato Grosso pelo PFL (atual Democratas). 
 
Onofre explica que o candidato estava com a eleição garantida. Por isso, queria usar o restante do tempo de propaganda no rádio e TV para homenagear seu estado com uma canção. Diz que resolveram procurar Paulinho, porque este já tinha know how no assunto. 
 
É que, em parceria com Almir Sater, Simões compôs a música "Terra Boa" para campanha institucional de rádio e TV do governo Wilson Martins (PMDB). Neste caso, a intenção foi levantar o astral da população em uma época de crise, enaltecendo Mato Grosso do Sul. A bela canção gravada por Alzira Espíndola termina frisando...  "Superando crises sempre que elas vem, meu Sul de Mato Grosso te quero tanto bem”.
 
Paulinho se empolgou com a ideia. “Depois de homenagear o estado do sul era a oportunidade de, salomonicamente, também homenagear o estado ao norte” conta o compositor. Para cumprir a empreitada ele buscou a parceria de Celito Espíndola que topou o desafio. Ambos teriam de se superar para fazer uma canção à altura de "Terra Boa". E conseguiram. 
 
O resultado foi a linda "Boa Terra", gravada a três vozes por Paulinho Simões e as cantoras Tetê e Alzira Espíndola, irmãs de Celito.
 
Canção que, até hoje, pouca gente sabia que foi feita para uma campanha eleitoral.
 
Leia a letra...
 
“Terra que ontem nos viu chegar
Terra que nos viu crescer e sonhar
Transparentes cachoeiras
Velhas lendas garimpeiras
Tesouros sempre a enfeitiçar
 
Terra que por sorte é nosso lar
Terra que não cabe em nosso olhar
Quando estamos na Chapada
Não tem fim noite estrelada
Horizontes são assim no Pantanal
Sei que as águas longe vão levar
Os meus segredos pelo Rio Cuiabá
 
Cruzam a tua imensidão
Os versos da nossa canção
Boa terra te adoramos com razão
Cruzam tua imensidão
Os versos da minha canção
Boa terra te queremos com paixão
 
Sei que as águas longe vão chegar
Não há limites para o Rio Paraguai
Cruzam tua imensidão
Os versos da minha canção
Boa terra, te adoramos com razão
Boa terra, te queremos com paixão."
 
OUÇA a canção...
 





Por Gaudêncio Torquato, na coluna Porandubas Políticas, do site Migalhas:
 
"Bate-boca no Parlamento inglês
 
Aconteceu num dos discursos de Churchill em que estava uma deputada oposicionista, Lady Astor, conhecida pela chatice, que pediu um aparte (sabia-se que Churchill não gostava que interrompessem os seus discursos), mas concedeu a palavra à deputada.
 
E ela disse em alto e bom tom :
 
– Sr. ministro, se Vossa Excelência fosse o meu marido, eu colocava veneno em seu chá !
 
Churchill, lentamente, tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu toda a plateia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, mandou :
 
– Nancy, se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá com prazer!"










Um livro sobre episódios de advogados que defenderam presos políticos durante a ditadura militar está sendo elaborado pelo deputado federal paulista José Mentor (PT) neste início de 2013, que pediu colaboração ao colega Fábio Trad (PMDB-MS). O deputado sul-mato-grossense vai escrever sobre o padre francês François Jentel (chamado de Francisco Jentel, na foto à direita), que teve como advogado o pai dele, o saudoso ex-deputado Nelson Trad (juntos na foto de arquivo à esquerda), que atuou na defesa do religioso junto com o famoso jurista Heleno Fragoso, também falecido. 

 
O revelante caso aconteceu no início da década de 70 em Santa Teresinha, distrito da pequena cidade de Luciara, no antigo Mato Grosso, região do Araguaia, palco de guerrilhas no período. Na época a Companhia de Desenvolvimento do Araguaia (Codeara) incentivava ricos empresários a abrir grandes fazendas na região. 
 
Em 1972, uma empresa comprou uma grande área que incluía parte urbana e povoada do lugarejo. Para efetivar a posse, contrataram seguranças armados e reprimiram quem tentasse se opor à ocupação. O padre Jentel mobilizou trabalhadores e tentou impedir a destruição das casas, sem sucesso. Entre as moradias derrubadas, estava um ambulatório construído em mutirão organizado pelo religioso. Por liderar a revolta, o sacerdote logo foi taxado de subversivo pelos militares. 
 
Preso, foi condenado a 10 anos de prisão por uma auditoria militar do antigo Mato Grosso uno em maio de 1973, diante de um juiz civil e quatro militares que ignoraram o fato de a Codeara ter invadido terras da Igreja e dos camponeses, conforme narra o jornalista Montezuma Cruz no artigo "Ditadura expulsou padre Jentel do país". Enviado a um quartel da PM em Campo Grande, ficou preso por cerca de um ano até ser libertado, expulso do país e mandado de volta à França.




Essa quem conta é o jornalista Paulo Nonato, o Feijão, que por muitos anos foi repórter esportivo de rádio e jornal e hoje atua na assessoria do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), em homenagem ao advogado e comentarista esportivo Marcelo Geraldo Trad (foto), que se foi aos 73 anos em janeiro deste 2013...

 
"Final de tarde de quarta-feira, dia 8 de fevereiro de 1984, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. 
 
Já no clima do confronto entre Operário Futebol Clube e Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, eu ainda garoto e o já experiente comentarista Marcelo Trad nos revezamos na tentativa de falar com o estúdio da Rádio Educação Rural, em Campo Grande. 
 
Eu no gramado e ele na cabine do estádio. O jogo estava prestes a começar, o narrador Gilberto Pereira Guedes ainda não havia chegado ao Maracanã, e tínhamos que testar os equipamentos para a abertura da transmissão. Então, insistíamos em chamar o estúdio: 
 
– Alô Raul, Alô Raul, Alô Raul...
 
Num determinado momento, já cansado de tanto chamar pelo Raul Ratier, mas sem perder o humor, o Dr. Marcelo, como todos nós o chamávamos, disparou:
 
– “Alô Raul, Alô Raul, Alô Raul...O Guéde taí?”. 
 
A tirada fez com que déssemos uma sonora gargalhada. 
 
Quando, enfim, o Raul respondeu foi um alívio geral. 
 
Ah, o Flamengo venceu o jogo por 3 a 2 com gols de Nunes, Tita e Mozer. 
Para o Operário marcaram Lima e Marcinho. 
 
Valeu Dr. Marcelo. 
 
Que Deus o tenha em bom lugar."