Campo Grande, Domingo , 19 de Novembro - 2017


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Garimpando História

Dentre os governadores de MS, só Harry não experimentou o café de Marinho

Postado por Marco Eusébio , 29 Março 2012 às 17:40 - em: Garimpando Historia


Postado por Marco Eusébio , 22 Fevereiro 2012 às 13:30 - em: Garimpando Historia

Compositor e poeta popular que criou clássicos inesquecíveis da MPB como "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é um Moinho", Angenor de Oliveira (foto), o mestre Cartola (1908-1980), fez um samba em homenagem a Campo Grande, quando em 1962 esteve na cidade que 15 anos viria a ser capital do novo Estado de Mato Grosso do Sul. Cartola veio acompanhando a Mangueira, escola que ajundou a fundar, convidada a se apresentar no aniversário da cidade e o compositor aproveitou para divulgar a verde e rosa (cores que ele próprio escolheu para a escola). "És cidade morena, muito embora pequena. De valor tradicional..." diz a letra (veja a integra na nota abaixo e ouça com exclusividade a música aqui no Blog). A homenagem à Morena é uma das obras inéditas de Cartola que estão sendo resgatadas pelo Museu da Imagem do Som (MIS) do Rio de Janeiro que até o fim do ano pretende colocar o material à disposição de pesquisadores para consulta, conforme divulgou a revista Veja na edição da semana anterior. Cartola costumava escrever letras em qualquer pedaço que papel que tinha à mão e até em maços de cigarros, quando vinha a inspiração, e depois esquecia. Deixou 146 obras registradas e parte delas gravadas, mas nas suas próprias contas fez mais de 600 composições. Cerca de trinta, incluindo a homenagem a Campo Grande, farão parte do acervo do museu.




Mestre Cartola e o engenheiro Celso Higa, historiador de Campo Grande

Postado por Marco Eusébio , 22 Fevereiro 2012 às 12:56 - em: Garimpando Historia

Depois de sete anos pesquisando a história do samba "Cidade Morena", feito pelo compositor Cartola em parceria com Nuno Veloso em homenagem a Campo Grande, o engenheiro Celso Higa, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, fez uma gravação artesanal da música que você pode ouvir aqui na seção GARIMPANDO HISTÓRIA do Blog que divulga em primeira-mão a composição inédita, com colaboração do jornalista Ítalo Milhomem, amigo de Higa. 

"Cartola chegou em 1962 para participar das festivadades do aniversario da cidade, veio para inaugurar a Praça do Rádio (Praça da República). Demorei sete anos garimpando essa curiosidade musical, até ouvir o parceiro do Cartola (Nuno Veloso) cantarolar por telefone, após nove interurbanos dominicais ao bairro de  Ipanema, no Rio de Janeiro, onde ele mora", conta Celso Higa, que também conversou com Dona Zica, viúva de Cartola, enquanto ela era viva. Higa lembra que "Campo Grande tem o apelido de Cidade Morena porque no início do século 20, quando ainda não tinha asfalto nem paralelepípedo, a poeira da terra vermelha da região alterava a tez das pessoas, deixando-as mais morenas".

"A música só não foi pra frente porque o Jânio Quadros (nascido em Miranda, mas registrado em Campo Grande) renunciou à Presidência do Brasil e essa homenagem musical (que tem uma alusão a ele) foi levada ao ostracismo".  Clicando no ícone abaixo, você ouve a gravação feita por Celso Higa "só para registro e guardar no meu arquivo pessoal", explica. O violão solo, com os fraseados, é do José Boaventura Sá Rosa "meu finado amigo  e uma referência cultural no MS, que era engenheiro eletricista como eu". "Os sons do surdo e tamborim foram sampleados em estúdio", explica Higa.

Veja a letra e ouça o samba inédito de Cartola...
 
CIDADE MORENA
(Nuno Veloso e Cartola)
 
És Cidade Morena,
muito embora pequena,
de valor tradicional.
Do Oeste és a fronteira,
modesta e bem brasileira,
graciosa e sem rival.
Berço nobre de um presidente,
a quem felizmente,
dá-se o seu valor.
Campo Grande, és o progresso,
prá quem de coração peço
um futuro promissor. 




Edson Contar e imagens de Pompílio, Barbosa e Josetti

Postado por Marco Eusébio , 20 Fevereiro 2012 às 11:35 - em: Garimpando Historia

"Três tipos diferentes"... foi o samba enredo da escola campeã do carnaval de Campo Grande há 31 anos, quando a Igrejinha levou o troféu em 1981. O autor foi Edson Contar, historiador que faz parte da história da cidade como descendente do fundador José Pereira. A letra homenageava e registrava na história local Pompílio, Barbosa e Josetti, três moradores de rua que se tornaram personagens inesquecíveis de comerciantes e moradores da região central no século passado. Aproveitando o embalo do atual carnaval, leia o que dizia o samba da Igrejinha. E leia também como Edson Contar descreveu Pompílio, Barbosa e Josetti, os três "tipos diferentes", em artigo publicado à época em jornais como o Correio do Estado, Diário da Serra e jornal Brasil Central, que está também em seu livro "Das Margens do Prosa ao Bar do Zé".

 
TIPOS DIFERENTES
Pompílio, Barbosa e Josetti
(enredo de 1981 GRES Igrejinha)
letra e música: Edson C Contar
 
"Tipos diferentes conhecemos,
Durante nossa infância e mocidade,
Figuras que jamais esqueceremos,
Viveram pelas ruas da Cidade...
 
Passaram e deixaram sua imagem,
Eram de paz
 E paz pregaram nesta terra,
O seu viver, o seu saber, eram mensagens,
Aos que eram "sãos"
E mesmo assim, faziam guerra...
 
Onde anda o Pompilio?
Pretinho de bom coração...
Que saudades do Josetti,
Dos anéis por toda a mão...
E do Barbosa,
Que figura tão brilhante,
Que andava em busca
 De um lindo diamante...
 
De onde vieram?
Pra onde foram?...
Não disseram adeus...
Onde estiverem,
Estarão em paz com Deus!
 
Tão diferentes!"
 
Quem foram Pompílio, Barbosa e Josetti... [Por Edson C. Contar]
 
"TRATAMENTO CUIABANO"...
 
Para os mais jovens, que não conheceram esses três tipos folclóricos da cidade, Pompilio era um  afro descendente de pequena estatura, vestia roupas muitos números acima de seu manequim, calça larga, paletó comprido que lhe chegava aos joelhos e desde cedo estava pela Rua 14 de julho, andando tranquilamente entre a multidão, sem pedir esmolas nem incomodar as pessoas, deixava uma latinha no chão e ali recolhia as moedas que os amigos depositavam. Seu simples olhar já lhe trazia uns trocados que ele imediatamente investia em doses de "chica bôa", no bar mais próximo...
 
Falava pouco, ou quase nada. Apenas olhava o vai-vem dos apressados, imaginando talvez o "por quê" de tanta pressa para o nada... Dos três, era o único que tinha familia. Morava na antiga Joaquim Murtinho, ou Barão do Melgaço, não me lembro bem. Firmava-se num cabo de vassoura, como amparo para a tonteira que o álcool provocava.
 
Embora a petizada fizesse sua farra com o Pompílio, ele jamais ameaçou usar sua bengala para reagir. Seguia calmo e tranquilo seu caminho de volta à casa. Um dia, numa época de repressão aos mendigos de rua, não se sabe a mando de quem, levaram Pompílio para "tratamento" em Cuiabá. Ao que se sabe, nunca chegou ao destino. É uma história que tento desvendar há muitos anos e não consigo.
 
ALZIRA E O DIAMANTE...
 
Já o Barbosa, tinha uma história conhecida. Foi garimpeiro ali pras bandas de Corguinho. Era também "afro-descendente", como querem os cultos legisladores, e sua história, como a de muitos, envolveu amor e decepção. Contava meu velho pai, que conhecera Barbosa dos tempos que vinha a cidade e trocava seus xibius (pequenos diamantes) por mercadorias na Casa Mineira e na Casa Calarge, da qual meu pai foi sócio e gerente.
 
Permanecia pouco tempo na cidade e retornava à sua lida na busca do brilho das pedras, onde vivia em companhia de uma linda mulher branca de nome Alzira. Um dia, Barbosa teria encontrado uma rica pedra de diamante, de tamanho, forma, brilho e qualidade ímpar. Voltou ao rancho e, com a cumplicidade de Alzira, escondeu em lugar seguro a fortuna de tantos anos de trabalho. Acontece que Alzira já andava de namorico com o chefe da guarnição policial do distrito, e contou a ele a história, convencendo o policial a largar o oficio e juntos fugirem pra longe, recomeçando a vida em meio a luxos e folguedos que Barbosa não concebia em sua simplicidade e inocência de homem humilde e caseiro.
 
Numa noite fria e chuvosa, Barbosa encontrou seu rancho vazio... Seus xibius e a valiosa pedra que lhe daria tranquilidade por toda vida, desapareceram também. Ensandeceu. Pirou geral. Como um louco, ou já enlouquecido, corria pelo garimpo e pela currutela procurando Alzira e seus diamantes. Ela já estaria longe, gozando, pela primeira vez, a aventura de viajar pelos trilhos da noroeste em direção a lugares que ninguém nunca mais soube.
 
Barbosa veio para Campo Grande, talvez na esperança de encontrá-la, mas nunca mais viu Alzira e suas pedras. Dai em diante, vagava pelas ruas, enrolado em um cobertor que à época chamavam "pega negrinho", descalço e em trapos. Tudo o que brilhava pelas sarjetas ele pegava, olhava em direção a luz como a examinar uma pedra e desfazia-se do engano, passando a buscar novos brilhos pelas calçadas. Manso, simpático e de boa fé, cumprimentava a todos e era por todos respeitado na 14 de julho, seu pedaço favorito na cidade. Dormia em baixo das marquises e raramente aceitava esmolas. Tinha um orgulho herdado dos tempos que seus xibius valiam mais que a moeda corrente. 
 
Durou até o inicio dos anos oitenta, já com noventa anos de trabalho e sofrimento. Ironicamente ele, que já morava no Asilo para onde fora levado por pessoas da cidade, morreu na noite em que a escola de samba Igrejinha cantava na avenida o samba que falava de sua desdita. Coisa que só Deus saberia explicar. Talvez, lá do céu, Barbosa tenha assistido a escola de samba comemorar a vitória naquele ano, sendo ele um dos personagens principais, figurado na avenida pelo saudoso "Fumaça" da Igrejinha...
 
O GENTLEMAN DAS RUAS...
 
Já o Josetti, foi alguém muito especial e, escrever sobre ele acaba sendo ousadia de qualquer cronista, depois que o saudoso Ulisses Serra o descreveu com tanta maestria e verve incomum no seu livro "Camalotes e Guavirais", não deixando espaço para nada mais esclarecedor e rico em detalhes sobre uma pessoa.
 
Peço vênia a sua memória para extrair o primeiro verso de sua rica crônica onde ele diz: -"Josetti era um vaganau diferente. De familia ilustre, tinha candura e mansuetude"...
Em poucas palavras, Ulisses traz a imagem perfeita de um homem que, no passado teria sido importante guarda livros do porto de Santos, membro de familia ilustre e moço de requintados costumes, culto e elegante.
 
Entende-se nas entrelinhas de sua vida, que teria perdido a cabeça (e mais tarde, o juizo) também por amor (ou desamor) à uma mulher. O que se tem certeza é do homem que por aqui apareceu, vagando pelas ruas, vestido em rotos ternos, gravata, e seu indefectível chapéu, como era o costume na época, chamando atenção pelos dez ou doze aneis que usava nas mãos, todos de latão e pechibeque, como cita Ulisses.
 
Mantinha longos papos com os doutores da terra, demostrando sempre uma certa sabedoria, vinda das brumas de seu passado e complementada pelas andanças que a vida lhe impôs. Era um gentleman, embora em andrajos. Diziam que ele teria passado por Corumbá, mas nunca se soube a verdade de tal estória para torná-la parte da história de Josetti.
 
Vez por outra, os boêmios da cidade faziam com que vestisse ternos limpos e ele aparecia renovado em seus passeios pela velha 14 de julho, sempre imponente, generoso e atento aos que lhe cediam participar das conversas comuns nas portas das lojas.
 
Nada pedia. Recebia de bom grado o convite para aceitar um prato de comida, como se convidado fosse para uma festa. Numa noite fria de junho, passou para a eternidade, sob o vão da escadaria do edificio Korndorfer, onde se abrigava por deferência do também saudoso Frederico Korndorfer, depois de Dona Olga, sua esposa.
 
Foi o conhecido Gabura e alguns amigos que o vestiram elegantemente, adquiriram o caixão e providenciaram um cantinho no cemitério Santo antônio e mandaram até rezar missa de sétimo dia para que aquele misterioso mas respeitado e querido tipo que enriqueceu a história dos vários anônimos que passaram pela Campo Grande de ontem e aqui ficaram. 
 
Como eu disse no samba, Pompilio, Barbosa e Josetti, "não disseram adeus" ...continuarão vivos pelos livros e na saudade dos que os conheceram. Que tenham encontrado a paz, com Deus!



Postado por Marco Eusébio , 14 Janeiro 2012 às 16:14 - em: Garimpando Historia

Na histórica eleição de 1996 em que André Puccinelli (PMDB) enfrentou Zeca do PT no segundo turno e conseguiu se eleger pela primeira vez prefeito de Campo Grande por uma diferença de poucos mais de 400 votos e muita polêmica, o refrão "Trad conhece a cidade" foi uma das marcas do primeiro turno no jingle de campanha do deputado federal Nelson Trad pelo PTB, que disputou o cargo com o atual vereador Loester [hoje no PMDB] de vice pelo PDT com apoio do ex-governador Pedro Pedrossian (então no PTB) pela chamada "Frente das Oposições" que tinha ainda o PFL, atual DEM. O video acima que o advogado Yves Drosghic passou à seção GARIMPANDO HISTÓRIA do Blog, mostra a abertura da campanha de Trad em que ele, advogado reconhecidamente hábil com as palavras, alfineta sem citar diretamente os então candidatos adversários dizendo que não era "aventureiro de fora" (em referência ao deputado André Puccinelli, que veio da cidade de Fátima do Sul) e que "não levei dias para construir meu patrimônio", alfinetando o ex-senador Levy Dias, candidato pelo PPB (atual PP). 

No vídeo onde aparece com Pedrossian e Loester, Trad fala ainda dos problemas da cidade governada pelo PMDB com Juvêncio da Fonseca, citando precariedade no serviço de saúde, falando dos ônibus urbanos lotados com atendimento capenga e tarifa muito cara e da insegurança nos bairros mais pobres. Coisas que continuam líderes na lista de reclamações da população até hoje. Trad não conseguiu realizar o sonho de ser prefeito, nem virou taxista como os adversários  ironizavam já que ele dizia conhecer a cidade. Mas encerrou vitorioso a carreira política ao término de mandato na Câmara dos Deputados em 2010 e faleceu um ano depois, conseguindo antes o que outras lideranças do estado tentaram sem sucesso, ajudando o filho Nelsinho ser eleito prefeito da Capital de Mato Grosso do Sul por dois mandatos e a eleger os outros dois filhos, Marquinhos, deputado estadual, e Fábio Trad como deputado federal em 2010.



Postado por Marco Eusébio , 18 Novembro 2011 às 12:16 - em: Garimpando Historia

Em tempos do politicamente correto, não é demais lembrar o bom humor e sinceridade extrema do inesquecível Jorge Antônio Siufi. Candidato a vereador em Campo Grande na década de 70, não teve pejos em adotar como slogan a tirada “ruim por ruim, vote em mim”. Fica o esclarecimento: Jorginho, advogado e escritor que, para quem porventura não saiba é autor da letra do hino de Mato Grosso do Sul, não se elegeu.




Sérgio Cruz, deputado federal em 1983, era "a cara do povo" para Brizola

Postado por Marco Eusébio , 12 Outubro 2011 às 17:19 - em: Garimpando Historia

 

Famoso nas décadas de 70 e 80 na política regional por repetir em seus discursos de oposição que mais feio do que ele era a situação do povo, o então deputado federal Sérgio Cruz, sem conseguir legenda para disputar a Prefeitura de Campo Grande em 1985, resolveu deixar o PMDB, partido do qual foi um dos fundadores no estado, e ingressou no PDT. Como reforço da sigla na Câmara dos Deputados foi levado para conhecer o lendário presidente nacional e fundador do Partido Democrático Trabalhista, Leonel Brizola.
 
No Palácio da Guanabara, o jornalista e deputado, impressionado com a beleza e representação histórica do lugar, observou tudo atentamente e ficou o tempo todo calado enquanto estiveram sentados à frente do governador do Rio de Janeiro, conhecido pelos longos discursos. Ambos ouviram atentos por pelo menos 40 minutos o carismático “velho caudilho” falar com a conhecida voz carregada do sotaque e expressões gaúchas. De repente, Brizola olhou para Sérgio Cruz, se virou para o presidente do PDT sul-mato-grossense e disparou um elogio: 
 
– “Alarico... estou gostando desse PDT do Mato Grosso do Sul, porque ele tem a cara do povo!” 
 
Foi só risadas.
 



Feitosa, de gravadorzão, na primeira vez com um ministro das Comunicações

Postado por Marco Eusébio , 18 Setembro 2011 às 15:30 - em: Garimpando Historia

Foi há 30 anos. Usando um vistoso óculos escuro, moda na época, e portando um gravador também nem um pouco discreto, movido a seis pilhas "grandes", o repórter Luiz Carlos Feitosa, com 21 anos, se encontrou pela primeira vez com um ministro das Comunicações. Era Haroldo Corrêa de Mattos, em entrevista coletiva no dia 5 de maio de 1981. Taí a foto acima para provar.

 
Naquele tempo Feitosa não era apenas repórter. Podia ser chamado de "faz tudo" de seu jornal A Crítica de Campo Grande, fundado no ano anterior. Além de dono e diretor, atuava como fotógrafo, vendia publicidade e até distribuía exemplares do semanário nas manhãs domingueiras na Avenida Afonso Pena, no centro da Capital sul-mato-grossense. Trabalhava muito, mas com gosto. Afinal, para quem já havia sido engraxate na adolescência, virar empresário, dono de seu próprio jornal, era uma grande vitória.
 
Para fazer a tal entrevista, Feitosa viajou mais de 700 quilômetros. O evento aconteceu lá em Santo Antonio do Leverger, no distrito de Mimoso, às margens da Lagoa de Chacororé, próximo à Cuiabá, capital do vizinho Mato Grosso. Naquele dia o lugarejo havia sido invadido por uma grande comitiva de autoridades, a maioria militares. Foram inaugurar um posto de serviço de telefônico para homenagear o finado marechal Cândido Mariano Rondon, patrono das comunicações brasileiras, que nascera naquele pequeno e distante povoado quase despovoado. 
 
Naquela época o serviço de telefonia era estatal e nos dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estava a cargo da Telecomunicações de Mato Grosso, a Telemat, cuja diretoria resolveu instalar o tal posto, economicamente inviável, só para a tal homenagem e póstuma e, de quebra, fazer um agrado ao governo militar que estava no ocaso. Em local aprazível, mas quase ermo, o posto telefônico teria raros usuários. O lugarejo nem energia elétrica tinha. Os equipamentos seriam movidos com energia solar e eólica. 
 
Para provar que a energia do sol e do vento funcionava, o ato foi marcado por dois telefonemas. Um do então governador de Mato Grosso, Frederico Carlos Soares Campos, para o presidente da República, General João Batista Figueiredo, que estava no Palácio do Planalto. Em seguida, o ministro Haroldo de Mattos ligou para a casa da filha do homenageado, Aracy Rondon Amarante, lá em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
 
Também foi inaugurado um grande painel simbolizando a epopéia de Rondon. Foi feito pelos atuais donos da Art & Traço, conhecida agência de publicidade de Campo Grande (MS), Chico Lacerda e Edvaldo Jacinto Corrêa, contratados para a tarefa pelo diretor de Comunicação Social da Telemat, Enneu Fett de Magalhães. Para fazer o painel, Chico e Edvaldo ficaram quase dois meses acampados às margens da grande lagoa.
 
Emocionado por entrevistar um importante integrante do primeiro escalão do governo federal pela primeira vez, Feitosa não imaginava naquele dia que seria o primeiro de seus vários encontros com ministros das Comunicações. Seis anos depois, em 1987, ele seria recebido no ministério, em Brasília, por outro titular da pasta, o baiano Antonio Carlos Magalhães, quando reivindicpi sua primeira emissora de rádio, a Pindorama AM, de Sidrolândia (MS). Em janeiro de 1988 seu pedido foi atendido e a outorga veio com a chancela do então presidente José Sarney e a do Ministro ACM.
 
Depois, Feitosa se encontrou com outros mandatários do Ministério das Comunicações: Miro Teixeira, Hélio Costa e José Artur Filardi. E obteve novas concessões. Hoje, 30 anos depois da primeira vez mostrada na foto acima, o repórter-empresário consolidou o Grupo Feitosa de Comunicação com emissoras de rádio espalhadas por várias regiões de Mato Grosso do Sul, dentre elas, a Transamérica Campo Grande FM - 99,1 Mhz. O ex-engraxate aprendeu a lustrar seu caminho empresarial.



Postado por Marco Eusébio , 06 Setembro 2011 às 10:06 - em: Garimpando Historia

"Não será permitida a construção de prédios residenciais ou comerciais com mais de dois andares (incluindo o térreo), a leste da Rua Bahia (inclusive)" - diz Lei [municipal] nº 86 de Campo Grande assinada do dia 12 de novembro de 1973 pelo então presidente da Câmara dos Vereadores, Felix Balaniuc, e pelo primeiro-secretário Valter Pereira, que entrou em vigor com sua publicação na edição do dia 14 daquele mês no jornal Correio do Estado, que na época funcionava como Diário Oficial do Município. "Se essa lei porventura não tiver sido revogada nesses quase 38 anos, o que é improvável, a situação dos prédios da Capital de Mato Grosso do Sul está quase toda irregular", comenta advogado que enviou a cópia acima ao Blog.




Postado por Marco Eusébio , 04 Setembro 2011 às 13:58 - em: Garimpando Historia

Posando para a foto acima em um torneio amador do Rádio Clube de Campo Grande em 1979 aparecem Nelson Trad e seus três filhos que sonhavam, como a maioria dos garotos e jovens brasileiros, em ser jogadores de futebol profissional. Na época com 15 anos, Nelsinho (o da direita dentre os agachados), pensava um dia integrar a equipe do glorioso Botafogo. Segurando a bola ao lado do pai Marquinhos, aos 13 anos, sempre contra o time de Nelson Trad e dos irmãos, imaginava integrar o esquadrão do Vasco. E Fábio, aos 8 anos, embora também botafoguense, nem pensava em ir muito longe de casa. Queria mesmo era atuar pelo Esporte Clube Comercial local. 

 
Se no campo da bola não integraram os times profissionais dos quais permanecem na condição de torcedores, na área da política foi diferente. Os filhos do ex-deputado Nelson Trad formaram um time vitorioso. O médico Nelsinho Trad, que completa 50 anos nesta segunda-feira (5), é prefeito em segundo mandato da Capital de Mato Grosso do Sul. O advogado Marquinhos, de 47, é deputado estadual reeleito. E o ex-presidente da OAB-MS Fábio Trad, de 42 anos, venceu em 2010 seu primeiro jogo na política partidária e desde o início do ano exerce mandato de deputado federal por Mato Grosso do Sul. Todos pelo time do PMDB.