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O finado Manoel...

Fotos Arquivo/Reprodução O finado Manoel...
José Valdetário Benevides, o Valdetário Carneiro

Postado por Marco Eusébio , 22 Dezembro 2016 às 12:00 - em: Garimpando Historia

José Valdetário Benevides, o assaltante Valdetário Carneiro temido no Nordeste que foi tema de trabalhos acadêmicos, documentários, do programa "Linha Direta" da Globo e inspirou o livro "Valdetário Carneiro, a Essência da Bala", escrito pelos jornalistas Rafael Barbosa, Themis Lima e Paulo Nascimento, é o protagonista do seguinte "causo" contado por Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
 
"O lendário Valdetário Carneiro contribuiu para os causos de Caraúbas/RN.
 
Ia ele em sua pick up na zona rural de Apodi. Próximo à cidade, um senhor meio alquebrado pelos anos acenou pedindo carona. Valdetário prontamente o atendeu, abrindo a porta. Já aboletado e no conforto do ar condicionado, começou a puxar conversa:
 
– O senhor vai pro Apodí ?
 
– Vou sim -, respondeu Valdetário, vou tratar de negócios no banco.
 
O carona resolveu dar uma de conselheiro:
 
– O senhor tenha cuidado. Se vai tirar dinheiro no banco e andando nesse carrão, aqui por essas bandas, tenha cuidado pois há gente perigosa por aí. Tem um tal de Valdetário Carneiro, homem de muita fama que pode ser um grande risco, principalmente pra quem é de fora.
 
Valdetário riu da situação e até agradeceu:
 
– Obrigado, eu vou ficar atento.
 
Em seguida devolveu a pergunta:
 
– E o senhor não tem medo de estar sozinho nessa beira de estrada? E se de repente lhe aparece o tal do Valdetário Carneiro?
 
– Ele que venha - completou o carona com valentia de quem se sente em confortável distância do perigo. E acrescentou: '– Um homem nasceu pro outro.'
 
Chegados ao destino, o carona já ia descendo quando resolveu fazer mais uma pergunta.
 
– Obrigado por tudo, senhor. Vá com Deus. Mas como é mesmo o seu nome?
 
Com toda naturalidade Valdetário respondeu:
 
– Eu sou Valdetário Carneiro. E o senhor como se chama ?
 
Branco como algodão, suando pelos poros, com as pernas trêmulas e a voz embargada, o carona mal conseguiu balbuciar:
 
– Eu sou o finado Manoel."
 

 




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