Garimpando História


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Getúlio Vargas, um mestre da persuazão

Tenório, o homem da capa preta

Dante, nos tempos de Correio do Estado, relembra o colega Jorge Franco
Por Dante Filho, especial para o Blog:
 
Jorge Franco era um cara temperamental. Trabalhamos juntos no Correio do Estado lado a lado. Ele era editor de Esportes. Eu escrevia os editoriais do jornal. 
 
Um dia escrevi um texto furioso criticando a "turma da boquinha" do setor cultural de Campo Grande. O editorial logo cedo causou grande comoção e perplexidade entre artistas e intelectuais. 
 
Cheguei lá pelas 9 horas na redação e encontro Cristina Medeiros recebendo inúmeros telefonemas de protesto. Havia um clima pesado. Artistas são amigos de jornalistas, sabe como é. Ela não tinha lido o texto e estava confusa com o que estava acontecendo. 
 
Assim que ela me viu partiu para cima de mim com o jornal em punho. Aos gritos. 
 
Tentei manter a calma, pedindo primeiro que ela lesse o texto e que depois converssasse comigo. Eu estava calmo e achando aquilo tudo engraçado. Todos estavam nervosos, inclusive Jorginho. Mas quando cristina extrapolou, não me controlei e gritei com ela exigindo que, primeiro, ela lesse o texto para fazer uma avaliação correta dos protestos da "categoria". 
 
Nesse momento, Jorginho interfere e grita comigo também, defendendo Cristina. E não se fez de rogado: 
 
– "Vamos lá pra fora resolver esse assunto como homens. Vou te quabrar a cara!!!!"
 
Eu não aguentei e comecei a rir. Ele também. 
 
E logo em seguida voltamos para a nossas mesas e começamos o trabalho do dia. Achando tudo aquilo uma grande piada.
 
(Uma singela homenagem in memorian ao já saudoso jornalista, que era um bom contador de histórias, Jorge Franco, o Jorginho)
 




 
"No coração da gente". O slogan de campanha usado por André Puccinelli (PMDB) ao disputar a cadeira de prefeito de Campo Grande, que ocupou por oito anos e de onde se projetou para virar governador de Mato Grosso do Sul também por dois mandatos, é bastante conhecido na cidade. Mas quem afinal criou o símbolo do coração de suas campanhas? Não é obra de nenhum marqueteiro e, embora tenha sido novidade para os eleitores da Capital daquela época, o coração usado por André já era coisa antiga. 
 
Foi a marca de sua primeira campanha quando disputou em 1982 a prefeitura da pequena cidade de Fátima do Sul, seu berço político e de outras conhecidas lideranças do estado como o deputado Londres Machado (PR). Lá de Fátima, o professor Wagner Cordeiro Chagas, nosso colaborador, revela: a ideia de usar o coração como símbolo foi de Nilton Giraldelli, ex-vereador que em 1988 disputou a cadeira de prefeito de Fátima com seu amigo André de vice na chapa. Em e-mail enviado ao professor, Giraldelli relembrou a história: 
 
– "Estávamos reunidos em umas trinta pessoas na edícula do fundo da casa do André na rua Severino Araújo Ferreira e discutíamos a necessidade de criar um símbolo. Diante de várias sugestões, eu disse: ´Estamos colocando nosso coração, muito ideal e muita garra nessa campanha. Além do mais o André é médico, cirurgião geral e se precisar operar um coração ele opera`. Então, a ideia do coração se materializou. O André mandou fazer todo o material de campanha com o símbolo do coração, que perdura até hoje".    
 
Na época, cada partido poderia lançar até três candidatos à prefeitura pela sublegenda. Em Fátima do Sul, o PDS lançou dois: o médico Hermindo de David, apoiado pelo grupo do deputado Londres Machado, e Danilo Alves Corrêa, irmão do então deputado estadual Manfredo Corrêa, com apoio do atual prefeito Samir Chafic Garib. O PMDB lançou Puccinelli e Alcides Rodrigues, este  representando o distrito de Vicentina. 
 
A disputa foi acirrada. Logo em sua eleição de estreia, André foi o mais votado. Obteve 6.320 votos, e Alcides obteve obteve 394, somando 6.714. Porém, Hermindo se elegeu prefeito com 4.047 votos que somados aos 2.732 de Danilo totalizaram 6.779 na legenda, só 65 a mais do que o total obtido por André e Alcides. 
 
Brotava ali uma histórica rivalidade política entre o agora ex-governador André, que acaba de concluir seu segundo mandato, e o ex-deputado Londres, que se aposentou das disputas eleitorais e acaba de encerrar em 2014 seu décimo-primeiro mandato consecutivo na Assembleia, um recorde mundial.
 
Depois da eleição, Wilson Martins (PMDB), que se tornou naquele ano o primeiro governador eleito de Mato Grosso do Sul, nomeou o médico Puccinelli como secretário estadual de Saúde, dando início a sua carreira política em Campo Grande.
 
 






 
Em tempos modernos via Facebook quem relata é o professor e historiador Eronildo Barbosa da Silva:
 
"As fotos acima são do arquivo de Haroldo Borralho. Elas retratam um famoso e misterioso incêndio que ocorreu na sede do PT, em 1980, no centro de Campo Grande. Conta Haroldo que um grupo de jovens ligados ao agronegócio, em um domingo, tocaram fogo na sede do PT.
 
Livros e documentos viraram cinza. Até hoje não se sabe quem cometeu esse crime.
 
O Haroldo, vice presidente do partido na época, diz que não foi uma coisa ruim. O prédio e os documentos estavam segurados. E o partido recebeu um seguro muitas vezes superior ao prejuízo. Borralho jura de pé junto que foi um crime contra o Partido dos Trabalhadores. Só que o deputado Antonio Carlos, do PT, diz haver controvérsia nessa história".
 
Ao comentar o episódio, Haroldo deu sua versão escrevendo no Facebook que, na época, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), incendiava bancas de revista Brasil afora e por isso resolveu se prevenir. Veja a história do Borralho: 
 
"Eu pensei, se tocarem fogo em algum lugar em Campo Grande com certeza vai ser no PT, eu era vice-presidente do municipal então resolvi contratar um seguro no banco América do Sul do qual era correntista. Foi um briga danada dentro da executiva do PT pois entendiam que eu deveria doar o valor pago por mim ao partido. Qual foi a surpresa que em um domingo, 2 meses depois da assinatura da apólice, pela manhã, fomos acordados pelos vizinhos e as rádios locais noticiando que estava pegando fogo na sede do ´PTB` e fui chamado pelos vizinhos do partido na Rua Antonio Noberto de Almeida, próximo a antiga Rodoviária, que já tinha incendiado tudo. Essa foi a estória. 
 
Pior aí saiu umas fofocas no partido que eu tinha tocado fogo no partido, uma tremenda sacanagem. Claro que era brincadeira dos companheiros. Uma coisa posso dizer. O dinheiro veio em boa hora, pois recebemos o seguro, entreguei ao partido, reformaram toda a sede, compramos 2 ´Caxassinhas mimeógráfos`, sofás, cadeiras e tudo mais para o partido além de pagar a energia atrasada e àgua,o aluguel. O Antonio Carlos de Oliveira pagava e o Zeca era o tesoureiro fazia a contabilidade. Agora devo confessar uma verdade: que ajudou muito esse seguro esse fato foi verdadeiro ainda deu p/fazer 3 encontros regionais trazendo os companheiros do interior e ainda pagar marmitex p/galera toda...
 
Outro fato interessante é que o PT nessas apólices estava seguro, veja só, contra: Roubo, incêndio, tumultos, depredações e, veja só, contra ´greves` também. 
 
´Vixe Mãe do Céu`."




Dois anos depois, dúvidas persistem sobre os nomes da ponte sobre o rio Paraná que liga a BR 267 em Bataguassu (MS) ao fim da Rodovia Raposo Tavaras em Presidente Epitácio (SP). Afinal, porque trocaram o nome e quem coordenou essa mudança?
 
Essa história fez o empresário Josué Emídio (citado aqui no blog como "o cara do chapéu") a perder uma aposta para amigos, em Campo Grande. "Insisti que a campanha foi coordenada pelo deputado Amarildo, do PT. Mas não há registro disso e perdi a aposta, porque no Google está escrito que o projeto que dá nome à ponte é assinado por outro deputado do PT, o Vander Loubet", conta o Josué.
 
Para dirimir a dúvida, conversei com o deputado Amarildo. O petista relatou que a ponte de 2.550 metros que liga MS e SP recebeu o nome de Helio Serejo em 2012 para homenagear o jornalista e escritor que nasceu em Nioaque (MS), morou em Presidente Vesceslau (SP) e faleceu aos 95 anos em Campo Grande (MS).
 
Serejo, justifica o petista, foi o principal entusiasta e coordenador da “Campanha de Propaganda Pró-Construção da Ponte sobre o Rio Paraná” que mobilizou lideranças dos dois estados e fez o barulho chegar ao Distrito Federal, até que a obra, iniciada no governo de Juscelino Kubitschek foi, enfim, concluída pelo general Castelo Branco, chefe do governo militar, em 1964. 
 
Porém, ao ser entregue à população no início do regime miliar, a ponte ganhou o nome do engenheiro e político do Rio de Janeiro, Mauricio Joppert da Silva, que foi ministro dos Transportes por três meses (de novembro de 1945 a janeiro de 1946) no governo de José Linhares. "Como o Joppert nada teve a ver com a obra, resolvemos lançar uma campanha para mudar o nome da ponte e homenagear Hélio Serejo", explica Amarildo, deputado estadual sul-mato-grossense, que nasceu em Presidente Epitácio (SP) e é radicado em Mato Grosso do Sul.
 
"Promovemos audiências públicas nos municípios da região da divisa. Houve resistência de algumas lideranças, sob o único argumento de que o povo já estava acostumado com o nome do Joppert e que não havia sentido mudar. Aos poucos, conseguimos explicar que o ex-ministro nem ao menos visitou a região. E que a homenagem deveria ser a alguém que aqui viveu e lutou pela construção da ponte", justifica Cruz.
 
Por se tratar de obra federal e sua jurisdição parlamentar ser estadual, Amarildo buscou o apoio do deputado federal e companheiro de partido Vander Loubet (PT-MS), que lançou o projeto. A proposta foi aprovada pelo Congresso e sancionada como a Lei 12.610/2012 pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que exercia interinamente a Presidência, e foi publicada no Diário Oficial da União em 11 de abril de 2012, fazendo jus ao historiador Hélio Serejo.