Garimpando História


Na histórica eleição de 1996 em que André Puccinelli (PMDB) enfrentou Zeca do PT no segundo turno e conseguiu se eleger pela primeira vez prefeito de Campo Grande por uma diferença de poucos mais de 400 votos e muita polêmica, o refrão "Trad conhece a cidade" foi uma das marcas do primeiro turno no jingle de campanha do deputado federal Nelson Trad pelo PTB, que disputou o cargo com o atual vereador Loester [hoje no PMDB] de vice pelo PDT com apoio do ex-governador Pedro Pedrossian (então no PTB) pela chamada "Frente das Oposições" que tinha ainda o PFL, atual DEM. O video acima que o advogado Yves Drosghic passou à seção GARIMPANDO HISTÓRIA do Blog, mostra a abertura da campanha de Trad em que ele, advogado reconhecidamente hábil com as palavras, alfineta sem citar diretamente os então candidatos adversários dizendo que não era "aventureiro de fora" (em referência ao deputado André Puccinelli, que veio da cidade de Fátima do Sul) e que "não levei dias para construir meu patrimônio", alfinetando o ex-senador Levy Dias, candidato pelo PPB (atual PP). 

No vídeo onde aparece com Pedrossian e Loester, Trad fala ainda dos problemas da cidade governada pelo PMDB com Juvêncio da Fonseca, citando precariedade no serviço de saúde, falando dos ônibus urbanos lotados com atendimento capenga e tarifa muito cara e da insegurança nos bairros mais pobres. Coisas que continuam líderes na lista de reclamações da população até hoje. Trad não conseguiu realizar o sonho de ser prefeito, nem virou taxista como os adversários  ironizavam já que ele dizia conhecer a cidade. Mas encerrou vitorioso a carreira política ao término de mandato na Câmara dos Deputados em 2010 e faleceu um ano depois, conseguindo antes o que outras lideranças do estado tentaram sem sucesso, ajudando o filho Nelsinho ser eleito prefeito da Capital de Mato Grosso do Sul por dois mandatos e a eleger os outros dois filhos, Marquinhos, deputado estadual, e Fábio Trad como deputado federal em 2010.






Sérgio Cruz, deputado federal em 1983, era "a cara do povo" para Brizola

Feitosa, de gravadorzão, na primeira vez com um ministro das Comunicações

Foi há 30 anos. Usando um vistoso óculos escuro, moda na época, e portando um gravador também nem um pouco discreto, movido a seis pilhas "grandes", o repórter Luiz Carlos Feitosa, com 21 anos, se encontrou pela primeira vez com um ministro das Comunicações. Era Haroldo Corrêa de Mattos, em entrevista coletiva no dia 5 de maio de 1981. Taí a foto acima para provar.

 
Naquele tempo Feitosa não era apenas repórter. Podia ser chamado de "faz tudo" de seu jornal A Crítica de Campo Grande, fundado no ano anterior. Além de dono e diretor, atuava como fotógrafo, vendia publicidade e até distribuía exemplares do semanário nas manhãs domingueiras na Avenida Afonso Pena, no centro da Capital sul-mato-grossense. Trabalhava muito, mas com gosto. Afinal, para quem já havia sido engraxate na adolescência, virar empresário, dono de seu próprio jornal, era uma grande vitória.
 
Para fazer a tal entrevista, Feitosa viajou mais de 700 quilômetros. O evento aconteceu lá em Santo Antonio do Leverger, no distrito de Mimoso, às margens da Lagoa de Chacororé, próximo à Cuiabá, capital do vizinho Mato Grosso. Naquele dia o lugarejo havia sido invadido por uma grande comitiva de autoridades, a maioria militares. Foram inaugurar um posto de serviço de telefônico para homenagear o finado marechal Cândido Mariano Rondon, patrono das comunicações brasileiras, que nascera naquele pequeno e distante povoado quase despovoado. 
 
Naquela época o serviço de telefonia era estatal e nos dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estava a cargo da Telecomunicações de Mato Grosso, a Telemat, cuja diretoria resolveu instalar o tal posto, economicamente inviável, só para a tal homenagem e póstuma e, de quebra, fazer um agrado ao governo militar que estava no ocaso. Em local aprazível, mas quase ermo, o posto telefônico teria raros usuários. O lugarejo nem energia elétrica tinha. Os equipamentos seriam movidos com energia solar e eólica. 
 
Para provar que a energia do sol e do vento funcionava, o ato foi marcado por dois telefonemas. Um do então governador de Mato Grosso, Frederico Carlos Soares Campos, para o presidente da República, General João Batista Figueiredo, que estava no Palácio do Planalto. Em seguida, o ministro Haroldo de Mattos ligou para a casa da filha do homenageado, Aracy Rondon Amarante, lá em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
 
Também foi inaugurado um grande painel simbolizando a epopéia de Rondon. Foi feito pelos atuais donos da Art & Traço, conhecida agência de publicidade de Campo Grande (MS), Chico Lacerda e Edvaldo Jacinto Corrêa, contratados para a tarefa pelo diretor de Comunicação Social da Telemat, Enneu Fett de Magalhães. Para fazer o painel, Chico e Edvaldo ficaram quase dois meses acampados às margens da grande lagoa.
 
Emocionado por entrevistar um importante integrante do primeiro escalão do governo federal pela primeira vez, Feitosa não imaginava naquele dia que seria o primeiro de seus vários encontros com ministros das Comunicações. Seis anos depois, em 1987, ele seria recebido no ministério, em Brasília, por outro titular da pasta, o baiano Antonio Carlos Magalhães, quando reivindicpi sua primeira emissora de rádio, a Pindorama AM, de Sidrolândia (MS). Em janeiro de 1988 seu pedido foi atendido e a outorga veio com a chancela do então presidente José Sarney e a do Ministro ACM.
 
Depois, Feitosa se encontrou com outros mandatários do Ministério das Comunicações: Miro Teixeira, Hélio Costa e José Artur Filardi. E obteve novas concessões. Hoje, 30 anos depois da primeira vez mostrada na foto acima, o repórter-empresário consolidou o Grupo Feitosa de Comunicação com emissoras de rádio espalhadas por várias regiões de Mato Grosso do Sul, dentre elas, a Transamérica Campo Grande FM - 99,1 Mhz. O ex-engraxate aprendeu a lustrar seu caminho empresarial.








Repórter Antônio Carlos de Oliveira (o Pastel, já falecido) entrevista o então prefeito Levy Dias



Opala movido a empurrão de taxista na Avenida Mato Grosso

Árbitro Barbosa e o bandeira Nilson Pereira apitando ComercialXFlamengo em 75

A foto acima do acervo do repórter-fotográfico Roberto Higa mostra, da esquerda para a direita, o árbitro Victor Pinto Barbosa e o auxiliar (bandeirinha) Nilson Pereira em jogo Comercial x Flamengo no Morenão, em 1975. Eis a prova para quem não acreditava que, antes de virar colunista social dos VIPs de Campo Grande no extinto Diário da Serra, no fim dos anos 70, Nilson Pereira, hoje colunista do site Midiamax, foi árbitro de futebol profissional na época que os clássicos Comerário lotavam estádio e Operário e Comercial eram temidos no futebol regional e nacional. Para ilustrar essa época, vamos descrever uma história contada pelo próprio protagonista, que aconteceu no ano seguinte....

 

Em 1976 o Operário já estava garantido no Brasileirão por ter sido campeão estadual do então Mato Grosso uno e seu rival campo-grandense Comercial disputava a segunda vaga com o Mixto de Cuiabá. O árbitro Nilson Pereira, que na época trabalhava como repórter da editoria de Polícia do Diário da Serra, havia sido escalado para apitar a partida. Ele próprio conta que, na tarde daquele dia, recebeu um telefonema do bandeirinha vermelha (na época tinha bandeirinha vermelha e amarela) dizendo que queria conversar sobre o jogo de logo mais à noite. 

 
– “Fui levado pelo bandeirinha para falar com um advogado que tinha escritório na Rua 13 de Maio, próximo à agência do Bradesco. Lá ele falou que o Comercial precisava ganhar para participar do campeonato brasileiro, falou da rivalidade que existia entre Campo Grande e Cuiabá  etc e tal. Vi que tinha um cheque virado em cima da mesa dele e fiquei curioso para saber o valor. Quando me mostrou o cheque, vi que a grana daria para comprar um Fusca na época” – conta o ex-árbitro.
 
Nilson diz que recusou a proposta e pediu dez vezes aquele valor sabendo que os interessados na vitória do Comercial não iriam bancar.
 
– “Fui para o jornal e fiz uma carta endereçada ao major José Maraviesck (representante da Federação de Futebol de MT em Campo Grande) contando o acontecido e dizendo que se eles aceitassem pagar aquele valor exorbitante doaria o dinheiro ao Asilo São João Bosco. Por volta das 19h recebo o telefonema do mesmo advogado dizendo que não dava para pagar aquele valor. Diante da negativa, fui apitar o jogo. Mas, antes, no vestiário, chamei meus dois bandeirinhas e disse que se eu os pegasse favorecendo o Comercial (os dois tinham sido comprados) eu iria expulsá-los”, relembra Nilson Pereira. 
 
O Comercial não podia perder nem empatar o jogo para conseguir a vaga no brasileiro. O primeiro tempo terminou um a zero para o Comercial. Nilson Pereira conta que no intervalo, quando foi para o vestiário da arbitragem, encontrou três homens na porta. “Eles avisaram que se o jogo não terminasse com a vitoria do Comercial eu seria um homem morto”, relata. 
 
– “Voltei para o segundo tempo e o Comercial estava próximo de conquistar a vaga quando, aos 42 minutos, chamei o Bife, centro-avante do Mixto, e mandei ele cair na área. Lembro que o goleiro do Comercial era o paraguaio Higino Gamarra. O Bife caiu na área, aos 43 minutos e marquei pênalti para o Mixto. Bife bateu, marcou e o time cuiabano representou o Mato Grosso no campeonato brasileiro junto com o Operário. E eu... estou aqui para contar a história” – narra o ex-árbitro Nilson Pereira.