Garimpando História


Estátua de Dinarte Mariz na Via Costeira, que leva seu nome, em Natal
 
"Dinarte Mariz (UDN) era governador do Rio Grande do Norte. Em uma de suas costumeiras visitas à Caicó, visitou a feira da cidade, acompanhado da sempre presente Dona Nani, secretária de absoluta confiança. Dá de cara com um amigo de infância e logo pergunta :
 
– 'Como vai, Zé Pequeno?'
 
O amigo, meio tristonho e cerimonioso, responde:
 
– 'Governador, o negócio não tá fácil; são oito filhos mais a mulher... tá difícil alimentar essa tropa vivendo de biscate. Mas vou levando até Deus permitir.'
 
O velho Dinarte o interrompe de pronto :
 
– 'Zé, que é isso, homem, deixe essa história de governador de lado. Sou seu amigo de infância, sou o Didi!'
 
Vira-se para Dona Nani e ordena:
 
– 'Anote o nome do Zé Pequeno e o nomeie para o cargo de professor do Estado.'
 
Na segunda-feira, logo no início do expediente, Dona Nani entra na sala de Dinarte e vai logo informando:
 
– 'Governador, temos um problema, o Zé Pequeno, seu amigo, é analfabeto; como podemos nomear...'
 
Antes que concluísse a fala, o governador atalha:
 
– 'Virge Maria, Dona Nani! O Rio Grande do Norte não pode ter um professor analfabeto. Aposente o homem imediatamente.' 
 
E assim foi feito!"
 




Criação de MS assinada por Geisel comemorada em Campo Grande
Mato Grosso do Sul completa hoje 39 anos de sua criação pela Lei Complementar nº 31 assinada no dia 11 de outubro de 1977 pelo então presidente Ernesto Geisel, desmembrando o antigo Mato Grosso uno. Realizava-se ali um antigo sonho dos divisionistas que se iniciou no começo do século passado. Mas, desde o início, as divergências e rivalidades políticas marcaram os rumos do Estado que então nascia.
 
Os três primeiros senadores – Pedro Pedrossian, Mendes Canale e Rachid Saldanha Derzi – queriam a cadeira de governador. Sem acordo entre eles, o novo Estado começou a ser governado por um forasteiro. Geisel convocou o gaúcho Harry Amorim Costa, presidente do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), e o nomeou como primeiro governador de MS. 
 
Incomodadas com o "intruso", lideranças locais deram uma trégua em suas disputas, se uniram em pressões políticas e Harry foi substituído por Marcelo Miranda, que por sua vez também enfrou fortes adversários e acabou "trocado" pelo governo militar por Pedrossian que comandou o Estado até as primeiras eleições diretas, que elegeram Wilson Martins governador em 1982. 
 
Durante o processo de criação chegou a ser formulado em Cuiabá um projeto daria ao novo Estado o nome de Campo Grande. As divergências, entretanto, não permitiram um acordo em torno de um nome. E, em cima da hora, optaram pela solução mais prática - acrescentar "do Sul" ao nome do antigo estado para a região em emancipação. Assim, surgiu a denominação Mato Grosso do Sul, que até hoje leva moradores de outras regiões a confundir os dois estados, irritando os sul-mato-grossenses.
 
Vale citar que antes da divisão do Mato Grosso uno, havia um temor em Cuiabá de que o novo Estado do sul disparasse em desenvolvimento por sua proximidade com grandes centros como São Paulo, mais facilidade de acesso aos portos e por ser dotado de ferrovia, enquanto o norte ficaria para trás, à deriva. Quatro décadas depois, essas "profecias" e temores não se cumpriram. A famosa ferrovia da Noroeste do Brasil (NOB) foi sucateada no sul, enquanto o norte seguiu seu ritmo.
 
E, apesar das rivalidades políticas, as vezes acirradas, mas também necessárias, entre erros e acertos Mato Grosso do Sul vem superando crises e segue em frente como um dos principais celeiros da agropecuária, além de avançar nos setores do comércio e indústria e fomentar sua vocação turística aprendendo a explorar de forma sustentável seus encantos naturais, como a paradisíaca Bonito e a região do Pantanal. 
 
Pelas lutas e encantos... parabéns aos sul-mato-grossenses pelos 39 anos de história!
 




Colbert e Mazarin: ataque à classe média desde a época de Luís XIV

Marcela e Temer no desfile em Brasília: protestos hoje e há 31 anos

Fidel Castro, ícone do século 20 chega aos 90 anos
O guerrilheiro que combateu ao lado de Ernesto Che Guevara e aparecia nas fotos com o famoso charuto está distante do poder, ao menos em termos protocolares, mas, apesar dos pesares da idade, segue reverenciado como o principal líder de Cuba que celebra neste sábado os 90 anos de vida de Fidel Alejandro Castro Ruz. Amado e odiado por muitos, o pai da Revolução Cubana cumpriu a promessa feita uma semana depois do início do movimento armado, quando pronunciou uma frase quase profética. "Eu serei o homem mais odiado de Cuba", disse, em 8 de janeiro de 1959.
 
As celebrações incluem a tradicional cerimônia do “Canhonazo de las nueve” — às 21h de hoje (22h DF), haverá disparos de artilharia na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña e a abertura da exposição fotográfica intitulada Fidel é Fidel. Três horas depois, um grande concerto com artistas cubanos ocorrerá na Tribuna Antiimperialista José Marti, praça ao lado do Malecón e da Embaixada dos Estados Unidos. Outras cerimônias estão previstas para outras localidades da ilha socialista.
 
A historiadora carioca Claudia Furiati, autora de "Fidel Castro – Uma biografia consentida", considera o “Comandante” como "o último líder vivo e um dos maiores estadistas do século 20". “Ele traduz, por toda a sua vida e sua obra, o símbolo do guerreiro libertador do Terceiro Mundo. Fidel foi, e é, o grande militante aintiimperialista, o que muitos chamam, em outro código, de ditador comunista. Por ter pregado e realizado um ideal de emancipação, com enorme capacidade e inteligência, ele despertou ódio e desejo de morte", comentou.
 
Fidel teria sofrido pelo menos 680 tentativas de assassinato por parte da Agência Central de Inteligência (CIA). Para matá-lo, os EUA teriam usado uma espiã que virou "noiva" de Fidel, um traje de neopreno coberto de bactérias e um drinque envenenado, entre outros recursos. "Fidel não desafiou apenas os Estados Unidos. Ele nos faz lembrar que é plenamente possível não ser quintal, cliente ou freguês dos EUA", acrescentou Furiati. 
 
Durante três anos e meio, o jornalista cubano Roberto de Jesus Guerra Pérez viveu como preso político por denunciar as arbitrariedades do regime castrista. "Foram mais de 200 detenções desde 2005. Eles me mantiveram por seis meses e oito dias sob tortura. Toda a minha família foi encarcerada", relatou à reportagem o diretor-geral da agência de notícia Hablemos Press, sediada em Havana. "Para mim, Fidel representa ódio, traição, um ditador que soube enganar amigos e inimigos. Mas eu reconheço que ele é um brilhante pensador, manipulador das massas e um homem que soube como manobrar a liderança."
 
(Com Rodrigo Craveiro, do Estado de Minas)
 




A matriz de Santo Antônio e o Hotel Americano nos anos 50

Jânio na época de presidente: curto mandato e muitas histórias

Tancredo candidato a deputado por São João Del Rey
 
"Tancredo Neves era promotor em São João Del Rey, em Minas.
 
Um homem chamado Jesus matou uma mulher chamada Madalena. Tancredo pediu 22 anos de cadeia para Jesus, o júri deu 18, Jesus foi para a cadeia, Tancredo esqueceu. 
O tempo passou. Nove anos depois, Tancredo advogado, vai a Andrelândia, pequena cidade próxima a São João Del Rey. De barba por fazer, entra em modesta barbearia de canto de rua, senta-se, está cansado, fecha os olhos, o barbeiro pega a navalha, afia, começa a tirar-lhe a barba, puxa conversa :
 
— O senhor é o Dr. Tancredo Neves, né ?
 
Tancredo abre os olhos, reconhece Jesus, o assassino de São João Del Rey. Espia pelo canto do olho, a barbearia vazia, a rua vazia, não chegava ninguém, não passava ninguém, o suor minava aflito na testa molhada e Jesus com a navalha enorme na mão pesada correndo garganta abaixo, sobe-desce, sobe-desce, abrindo caminhos na espuma.
 
Jesus ficou só espiando. Tancredo só teve voz para dizer:
 
— Sou, sim.
 
— Pois é, Dr. Tancredo, a vida.
 
— Pois é, Jesus, a vida.
 
— Cumpri nove anos dos 18, estou aqui, o senhor aí, o senhor com sua barba, eu com minha navalha. Só queria lhe dizer uma coisa, Dr. Tancredo.
 
Tancredo suava, Jesus corria a navalha pelo pescoço :
 
— Que coisa bonita é um júri, hein, Dr. Tancredo? Que coisa mais bonita, que discursos bonitos que o senhor e o outro doutor fizeram!"
 




Dona Nilda e o marido Lúdio Coelho: sabedoria da roça

Lacerda: era dos tribunos