Garimpando História






Antes das eleições de 1998, um grupo de assessores de gabinetes de deputados estava no bate-papo no Péssimus (o atual Mercearia) na esquina das ruas 15 de Novembro e Padre João Crippa, vizinho ao prédio onde funcionava o escritório do então (e atual provisório) presidente do PDT, João Leite Schimidt e que hoje é ocupado pelo ex-governador Zeca do PT. De repente, chega Schimidt com amigos correligionários. Os assessores o cumprimentaram e ele contou que tinha acabo de voltar do apartamento do ex-governador Pedro Pedrossian (então no PTB) que detinha, à época, 70% das intenções de voto para voltar ao governo de Mato Grosso do Sul.


Chamado por Pedrossian para discutir aliança sobre eleições de 1998, Schimidt escuta os planos do ex-governador e depois questiona, propondo:

 

– "Dr. Pedro, onde entra o meu PDT nesta chapa? Podemos ter a vice com Moacir Kohl ou Franklin Mashura e poderiamos lançar o Zeca do PT ao Senado".


Pedro diz:


– "Não posso abrir mão da minha chapa, porque o Vice vai assumir o Governo em 2002 para eu me lançar ao Senado".

 

À época, o candidato a vice era o advogado Newley Amarilha. Pedro descartou a proposta do cacique estadual do partido de Brizola afirmando que ele queria apenas resolver um problema de Coxim sobre quem sairia a deputado estadual e levando a vice-governadoria.


Schimidt contou que resolveu ir embora, dizendo ao doutor Pedro:


- "O senhor acaba de perder a eleição!"

 

Ao saber da história, a galera no bar riu da piada.


Schimidt acabou articulando a frente de esquerda que uniu PT, PDT e PPS, lançando Zeca do PT ao Governo e Moacir Kohl (os três na foto), de seu partido e de Coxim, para vice, com o advogado Carmelino Rezende ao Senado.


O resto da piad.. ops, da história, todo mundo sabe no que deu...

 

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A foto em preto e branco exibe em 1996 o bancário José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca, e seu vice Ben Hur Ferreira, em campanha pela chapa pura do Partido dos Trabalhadores na disputa pela Prefeitura de Campo Grande, na histórica eleição em que o PT começou a despontar como força política em Mato Grosso do Sul. Enfrentando nomes tradicionais da política regional como Levy Dias (então no PPB) e Nelson Trad (na época no PTB), os petistas começaram a campanha na condição de azarões dividindo as últimas colocações nas pesquisas de opinião ao lado do candidato do Partido Verde (PV) Carlos Leite. Entretanto, surpreendendo todas as expectativas e rompendo preconceitos ao partido que era sinônimo de MST na Capital do estado dominado por fazendeiros, a dupla levou o candidato da situação, André Puccinelli (PMDB), para o 2º turno. Numa disputa acirrada, André venceu pela diferença de apenas 411 votos, até hoje contestada pelos petistas. Dois anos depois, Zeca seria eleito governador e Ben Hur deputado federal campeão de votos de então. No poder, as diferenças dividiram os antigos companheiros. Hoje, 13 anos depois, o número do partido, o ex-deputado petista milita no partido que é o principal adversário dos petistas em nível nacional, o PSDB. E Zeca desponta como pré-candidato ao governo para voltar a enfrentar seu histórico rival André em 2010. (Foto do arquivo do jornal Folha de Campo Grande, cedida pelos diretores Geraldo Silva e Faeza Silva)