Ponto de encontros e desencontros daquela que viria a se tornar uma das maiores cidades do oeste brasileiro, o Cine Alhambra foi o principal cinema de Campo Grande por décadas. Projetado pelo arquiteto alemão Frederico Urlass e edificado pelo construtor Thomé & Irmãos, o empreendimento do comerciante Karim Bacha, de 1936, foi grandioso em sua época até se comparado às salas de exibição das principais cidades brasileiros. Tinha 1.700 lugares, sendo 1.100 no térreo e 600 no balcão, com 28 camarotes e aparelho de projeção da Western Eletric sonorizado importado e sistema de iluminação da GE. Local de festas, palestras, reuniões,formaturas e outros eventos, seu estilo Art Déco era típico da arquitetura da década de 1930 no país. Foi demolido no fim dos 80 para dar lugar a um hotel quatro estrelas até hoje não concluído à Avenida Afonso Pena, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho, no centro da cidade. (Fonte: ARRUDA, Ângelo Marcos Vieira de. Arquitetura e Urbanismo em Campo Grande na Década de 30, Uniderp, 2000)
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Durante os anos 80/90, o poder em Mato Grosso do Sul se revezou entre os ex-governadores Wilson Barbosa Martins e Pedro Pedrossian, com alguns "intrusos" entre um governo e outro quando na época que a reeleição inventada por FHC ainda não existia. O ciclo foi rompido pelo "azarão" Zeca do PT, em 1998, que depois de oito anos de poder volta a disputar a cadeira mais importante do Parque dos Poderes neste ano contra o rival André Puccinelli (PMDB). Desta vez, parece não haver ninguém para romper o ciclo "Zeca-André"... pelo menos por enquanto.
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Antes das eleições de 1998, um grupo de assessores de gabinetes de deputados estava no bate-papo no Péssimus (o atual Mercearia) na esquina das ruas 15 de Novembro e Padre João Crippa, vizinho ao prédio onde funcionava o escritório do então (e atual provisório) presidente do PDT, João Leite Schimidt e que hoje é ocupado pelo ex-governador Zeca do PT. De repente, chega Schimidt com amigos correligionários. Os assessores o cumprimentaram e ele contou que tinha acabo de voltar do apartamento do ex-governador Pedro Pedrossian (então no PTB) que detinha, à época, 70% das intenções de voto para voltar ao governo de Mato Grosso do Sul.
Chamado por Pedrossian para discutir aliança sobre eleições de 1998, Schimidt escuta os planos do ex-governador e depois questiona, propondo:
– "Dr. Pedro, onde entra o meu PDT nesta chapa? Podemos ter a vice com Moacir Kohl ou Franklin Mashura e poderiamos lançar o Zeca do PT ao Senado".
Pedro diz:
– "Não posso abrir mão da minha chapa, porque o Vice vai assumir o Governo em 2002 para eu me lançar ao Senado".
À época, o candidato a vice era o advogado Newley Amarilha. Pedro descartou a proposta do cacique estadual do partido de Brizola afirmando que ele queria apenas resolver um problema de Coxim sobre quem sairia a deputado estadual e levando a vice-governadoria.
Schimidt contou que resolveu ir embora, dizendo ao doutor Pedro:
- "O senhor acaba de perder a eleição!"
Ao saber da história, a galera no bar riu da piada.
Schimidt acabou articulando a frente de esquerda que uniu PT, PDT e PPS, lançando Zeca do PT ao Governo e Moacir Kohl (os três na foto), de seu partido e de Coxim, para vice, com o advogado Carmelino Rezende ao Senado.
O resto da piad.. ops, da história, todo mundo sabe no que deu...
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