Garimpando História




Nas fotos acima, o ex-prefeito de Campo Grande Lúdio Coelho ao lado de seu então assessor de imprensa Maranhão Viegas concedendo entrevista coletiva. E ambos em caminhada na Praça Belmar Fidalgo.

Por Inorbel Maranhão Viegas (*)

O amigo jornalista, Marco Eusébio, viu uma foto antiga e me pediu alguma história de jornalista pra ela. Foi o que bastou para me provocar. Lembrei do "Seo" Lúdio. E surgiram três histórias bem legais.
 

A importância da ponte

“Seo” Lúdio. Era assim que o povo tratava Lúdio Martins Coelho, o prefeito mais popular que Campo Grande já teve. E um dos mais ricos também. A riqueza vinha de família. O pai dele foi um dos maiores fazendeiros do antigo Mato Grosso. E os filhos trataram de cuidar bem do patrimônio. Tão bem que o multiplicaram em muitas vezes. 

Mas, nem toda a riqueza serviu para tirar o jeito interiorano do “Seo” Lúdio. Ele não esbanjava. Não dava demonstrações públicas de riqueza. E ainda tinha um jeito de se comunicar que lhe garantia total identidade com o povo. Eu sempre achei que esse jeitão meio caboclo, no fundo, no fundo, não passava de uma bela estratégia de marketing pessoal. 

Era o prefeito das coisas simples. Tratava a cidade como quem trata a sua própria família. Ou, o seu curral, diziam os críticos mais ácidos. Mas o povão adorava o “Seo” Lúdio. Invariavelmente, iniciava ou terminava os seus discursos dizendo que "Campo Grande era bom pra criar criança e fortalecer a família". E tinha tiradas sensacionais. 

Um dia, ele inaugurava uma das pontes sobre o córrego Prosa. Nessa época, o Roberto Higa era o fotógrafo da Prefeitura e experimentava uma sofisticação – uma câmera Polaroid, com a qual tirava as fotos e entregava na hora ao fotografado. Com autógrafo e tudo do prefeito, causando um imenso alvoroço. “Seo” Lúdio adorava. E o povão, mais ainda. 

A ponte era um antigo desejo da comunidade e ía facilitar muito o tráfego na região. O evento era tão importante que a Rádio Educação Rural decidiu transmitir ao vivo. Na hora marcada, havia uma quantidade grande de repórteres de TV, rádio e jornal; faixas, foguetes, a "furiosa" da Prefeitura tocando marchinhas e o povão lá, festejando. Um repórter mais apressado correu para o prefeito e tascou-lhe a pergunta à queima roupa, antes de todo mundo: Prefeito qual a importância dessa ponte? “Seo” Lúdio olhou de um lado e de outro e mandou ver: - Meu filho, essa ponte é importante porque passa gente, carro e bicicleta por cima; e muita água por baixo!


A nomeação e a queda

Um dia, “Seo” Lúdio mandou me chamar, queria uma conversa em reservado comigo. Eu era diretor de jornalismo da TV Guanandi, afiliada da Rede Bandeirantes e não tinha nenhuma proximidade com ele. Mesmo assim, fui. E me surpreendi com um convite para assumir a Secretaria de Comunicação da Prefeitura. 

Foi uma longa conversa. Para cada argumento eu tinha um questionamento. Eu resistia muito à idéia de assumir um cargo tão importante sem ter intimidade com ele ou com sua equipe. Mas, ao final, me pôs em xeque: Olha aqui, você é um dos jornalistas que mais me critica. E apesar disso, é um dos que eu mais respeito. Não tenho o que reclamar de você. Sua crítica e bem feita. Eu estou tendo problemas com a minha comunicação. Então, já que você sabe tanto criticar, deve saber o que é preciso fazer para a Prefeitura funcionar bem nessa área. Eu terminei aceitando o convite.

Concluída a conversa, ele chamou o secretário de Administração e determinou a minha nomeação. No dia seguinte, o Diário Oficial trazia a nomeação de “Maranhão Viegas” para a Comunicação Municipal. Corri no prefeito para falar que acontecera um equívoco. O “Maranhão Viegas” não existia de fato. Eu usava apenas como nome profissional. Meu nome mesmo era Inorbel Viegas. 

O prefeito não teve dúvidas, chamou o secretário de novo, mandou demitir o Maranhão e nomear o Inorbel Viegas. A passagem relâmpago do “Maranhão Viegas” pela Comunicação do “Seo” Lúdio causou estranheza em muita gente. Não lembro quantos amigos me procuraram querendo saber o que havia acontecido? Quem era aquele cara, de mesmo sobrenome, que tinha me substituído? Qual erro eu havia cometido para durar tão pouco no cargo? 

Naqueles dias, o "Maranhão Viegas" deu muitas explicações. Mas o "Inorbel Viegas", felizmente, seguiu firme no cargo até o último dia do mandato do “Seo” Lúdio. 


A pesquisa

A eleição já estava bem avançada e a candidata do “Seo” Lúdio não ia lá muito bem das pernas. Naquele dia, ao final da tarde, ele decidiu fazer uma das coisas que mais gostava - andar entre o povo, em uma feira de frutas e verduras. No meio da caminhada, foi alcançado por uma repórter de TV que lhe informou os resultados da mais recente pesquisa e do mau desempenho da candidata dele. 

Ele sorriu e disse que já conhecia os números. Ela então perguntou se ele toparia uma entrevista. Ele disse: Respondo, desde que seja só uma pergunta, ainda tenho muito que andar com esse povão. Ela topou. Um sinal para o câmera, luz acesa, microfone em punho e ela mandou: “Seo” Lúdio como o senhor viu o resultado da última pesquisa? Ao que ele respondeu: Vi como você, pela televisão! E encerrou a conversa.

(*Inorbel Maranhão Viegas, mais conhecido como Maranhão Viegas, é jornalista hoje residente em Brasília e foi assessor de imprensa da segunda gestão do tucano Lúdio Coelho quando este foi prefeito de Campo Grande de 1989 a 1992)








Essa eu havia escrito na minha antiga coluna no site MS Notícias, mas como o provedor não fez backup e perdeu todo o arquivo da época, vou recontar aqui no Blog...

...No último ano de seu segundo e derradeiro mandato, em 2006, o então governador Zeca do PT determinou ao secretário de Estado de Cultura, Silvio Nucci, que recebesse Rosana, filha de Pedro Pedrossian, e que oferecesse estrutura para o lançamento do livro de memórias "O Pescador de Sonhos", que estava sendo concluído pelo ex-governador. Passados algum tempo, Nucci participava em Porto Alegre (RS) de encontro do Fórum Nacional de Secretários de Cultura, do qual era presidente, quando recebeu no celular telefonema. Sem reconhecer o número, Silvio atendeu, perguntou quem era, e a voz de um senhor do outro lado se identificou:

– "Oi Silvio, aqui é o Pedro, pai da Rosana..."

Pensando que se tratava do velho amigo Pedro, pai da então secretária-geral do PT regional, Maria Rosana, que era "prefeito" do ginásio Guanandizão, Nucci mostrou efusivamente que sabia quem era o companheiro, respondendo:

– "Fala Pedrão, seu FDP... Tá sumido, heim?!"

Quando o ex-governador começou a falar sobre o livro, "caiu a ficha" do secretário. Desconcertado, Silvio pediu mil desculpas e explicou ao Doutor Pedro que pensava se tratar de outro Pedro, um companheiro petista. Bem humorado, Pedrossian respondeu:

– "Muita gente deve ter tido vontade de me dizer o que você falou, mas ninguém teve coragem..."

Dos dois lados da linha, foi só risadas.









Criada através da Lei nº 5.647, de 10 de dezembro de 1970, na data em que completará 40 anos neste mês, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) vai homenagear aquele que foi o principal responsável pela sua fundação. Na sexta-feira da semana que vem, em cerimônia prevista para iniciar às 10h no Teatro Universitário da instituição, em Cuiabá (MT), será outorgado o título de "Doutor Honoris Causa" ao ex-governador do Mato Grosso uno e de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian. Como o homenageado está com a visão "fraca", seu discurso será lído pelo reitor-fundator da UFMT, Gabriel Novis Neves, um dos principais defensores da homenagem ao ex-governador. Depois da cerimônia, Neves e outros velhos amigos de Pedrossian oferecerão uma peixada cuiabana a Pedrossian que deve retornar à tarde para Campo Grande, onde reside.

Filho de armênio e chamado carinhosamente de "turco" pelos amigos cuiabanos, o engenheiro formado pela Escola Polítécnica de São Paulo que ainda jovem foi diretor da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), Pedro Pedrossian, nascido em Miranda (MS), foi eleito governador do Mato Grosso uno em 1966 pela coligação PSD-PTB derrotando o pecuarista e banqueiro, Lúdio Martins Coelho, candidato da UDN.  Em suas gestões no governo dos dois estados, foram criadas, além da UFMT sediada em Cuiabá (MT), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) sediada em Campo Grande e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) com sede em Dourados (MS). Chamado de "Doutor Pedro" pelos antigos correligionários e colaboradores, Pedrossian, que já recebeu o título de "Doutor Honoris Causa" da UFMS, será neste mês duplamente doutor.

O engenheiro da educação...

– "Pedrossian governador tinha vários problemas a enfrentar, sendo que o maior de todos era o desenvolvimento do estado. Sabia que o caminho único era através da educação. O estado que herdou - um imenso curral - tinha proprietários. O analfabetismo ocupava uma das maiores taxas do Brasil. Oitenta e cinco por cento dos professores primários eram leigos. O ensino superior no grande estado era pontual e o ensino médio o final da educação para poucos. (...) A sua meta educacional era ambiciosa: fortalecer o ensino básico, criar o ensino médio voltado para o trabalho e implantar duas universidades no Estado. Uma com sede em Cuiabá e outra em Campo Grande. 

Mesmo em um Estado pobre de dinheiro, construiu o básico-físico das duas cidades universitárias, que doadas ao Ministério da Educação, abrigariam as Universidades Federais de Mato Grosso (UFMT) e Mato Grosso do Sul (UFMS).  Pedrossian não se esqueceu também da parte acadêmica que serviu de suporte inicial as universidades por ele criadas. Este é um rápido perfil do governador que mais fez pela educação na história destes Estados irmãos. Acreditou e decidiu que Mato Grosso só seria outro se cuidássemos dos nossos jovens. 

Aos oitenta e dois anos, longe do poder e dos amigos do poder, chorou ao saber que após quarenta anos, a UFMT reconheceu o seu idealizador. Parabéns UFMT pelo reconhecimento do trabalho do seu maior responsável! Obrigado Doutor Honoris Causa - Pedro Pedrossian!", relatou neste mês, em emocionado artigo publicado na imprensa cuiabana, o reitor-fundador da UFMS, Gabriel Novis Neves.






Por Edson Contar (*)

São doze horas e trinta minutos...Já estamos na fila esperando as portas serem abertas.

Dona Maria (que viria casar-se com o Dr. Leon Denizart Conte) é a bilheteira e já se acomoda no aquario redondo do caixa; seu Carlos, o que pinta os cartazes, anda de um lado pra outro, ajeitando cortinas e móveis, seu João , o porteiro (está vivíssimo), toma posição e, aqui fora, a garotada está impaciente...

Hoje tem "Caim e Abel"  da Colúmbia Pictures e depois, o seriado do Tom Mix.

Na fila, as primeiras paqueras, ou era flerte?...As mocinhas são alinhadas e bonitinhas...Quem sabe a gente pede pra guardar lugar e uma delas aceita, né?

Entramos!...-Uma "entrada de estudante" por favor...

Boa tarde seu João!...E lá vamos nós em direção as pesadas cortinas de veludo que separam a paltéia da enorme sala de recepção...Uma passadinha, antes, no baleiro, seu Nelson, para comprar uns caramelos ou drops e poder oferecer algo a namoradinha...Tem chocolates também, só que são mais caros e o dinheiro é pouco; na saida tem que sobrar pra pipoca ou um sorvete na São José do Calarge, em frente a praça, né?...Quem sabe, até um sonho do italiano na esquina....

As moças vão se acomodando e nós, os rapazinhos, começamos a "caça" rs

É um vai-vem pelos corredores, olhares, sorrisos e sinais, sem falar na mímica ("posso sentar com você?")

Um pulinho nos camarotes...Sem chance, os papais e mamães estão por lá...Lá em cima, na colméia, lá em cima, não tem muita gente...

Aí, entra esta música e é um Deus nos acuda...A paquera não rendeu...O jeito é sentar em qualquer lugar e asssitir o filme...Fazer o que?

Domingo que vem tem mais!...Eu ainda arrumo uma namorada!...
 
Ah!...Que saudades do velho Alhambra, do meu terno de linho comprado na Rener, da Maria, do Carlos e do seu João...

Do Tarcisio eu não falei, gente! Logo ele, o boa gente que livrava a nossa cara quando os  lanterninhas Alaor ou o Içum tiravam a gente só porque batiamos os pés no chão, na emoção de ver o mocinho beijar a mocinha ou para avisar o Tom Mix que tinha um cara lá em cima mirando para atirar nele. Um abraço, amigo!

Eu tinha as fotos aqui e, ouvindo esta música, não deu pra segurar...tive que viajar aos velhos tempos e conversar com vocês...

Agora, os que viveram aqueles tempos, chorem aí, vendo, ouvindo e relembrando...Os que não são "antigos", chorem mais ainda...Vocês não sabem o que perderam!

...Eu chorei!

(*Edson Contar é escritor, pesquisador e jornalista, bisneto do fundador de Campo Grande-MS, José Antonio Pereira)





– "Os velhos comunistas de Mato Grosso do Sul, tenho certeza, se consideram hoje de luto", afirmou Fausto Matto Grosso (PPS), professor da UFMS e ex-secretário de Planejamento, ao comentar a morte do artista plástico Espedito Rocha, ex-presidente de honra do PCB do Paraná falecido ontem, de câncer, aos 89 anos. Ele iniciou sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1938 em Pernambuco e chegou ao Paraná no início dos anos 50, inicialmente trabalhando na colonização do norte do estado. Após o golpe militar de 1964, Espedito teve os direitos políticos cassados e ficou na clandestinidade. Na época ele manteve uma fazenda em São Gabriel do Oeste (MS), na época pertencente ao Mato Grosso uno, que servia de abrigo para resistentes da ditadura e acumulava recursos para atividade do PCB. 

Para se manter oculto, passou a usar o nome Tiburcio Melo. Descoberta sua real identidade, foi preso e torturado, atingindo o peso de apenas 38 quilos. Auxiliado por amigos, fugiu e se recuperou, mudando novamente o nome para Tadeu Melo. No período em que se escondeu, Espedito desenvolveu sua carreira de artista plástico, como escultor. Atividade da qual se dedicou até os últimos dias de sua vida. Conforme Fausto Matto Grosso, a fazenda em São Gabriel do Oeste havia sido comprada "por nossos antigos camaradas para desenvolver plantio de café, para financiar a atividade partidária". "Expedito foi um dos  poucos membros do Comitê Central do PCB que não se exilou em 74", acrescenta Fausto. Com o fim do período militar, o líder político retornou a Curitiba onde refundou o PCB, permanecendo presidente até meados dos anos 90. No início da década de 80, articulou o apoio do PCB paranaense à candidatura do então peemedebista José Richa ao governo do estado. (Com informações da assessoria do PPS do Paraná)