Senhora do destino Heitor Freire (*)

Senhora do destino

Como sempre, um tema que me empolga é a mulher e sua luta milenar por emancipação. 
 
Desde os tempos bíblicos, apesar de a Bíblia conter essencialmente uma narrativa patriarcal, já podemos encontrar algumas passagens em que as mulheres demostram sua força e poder, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Na história de Jesus Cristo há um aspecto pouco destacado, que é a atenção que ele dedicava às mulheres, principalmente numa época em que predominava de forma muito ostensiva o isolamento e o distanciamento delas em relação aos homens, à religião e ao status social.
 
No Livro de Urântia – uma obra sobre questões religiosas e espirituais –, que, entre outros assuntos, também conta a vida de Jesus Cristo desde sua concepção, nascimento, infância, juventude, adolescência, apostolado, pregação, suplício, morte e ressureição, há um capítulo intitulado “O corpo evangélico das mulheres”, onde consta o trecho seguinte: “Em todas as coisas ousadas que Jesus fez na sua carreira terrena, a mais surpreendente foi o anúncio súbito, na tarde de 16 de janeiro de 25 d.C.: ‘Amanhã pela manhã, nós selecionaremos dez mulheres para o trabalho de ministração do Reino’”.
 
Jesus, segundo narra o livro, determinou que se chamassem dez mulheres devotas que haviam servido na administração do acampamento anterior e na enfermaria das tendas. Essas mulheres tinham ouvido a instrução dada aos jovens evangelistas, mas nunca havia ocorrido aos instrutores nem a elas próprias que Jesus ousaria colocá-las na missão de ensinar o evangelho do Reino e ministrá-lo aos doentes.
 
As dez mulheres escolhidas por Jesus eram: Suzana, filha do antigo chazam da sinagoga de Nazaré; Joana, mulher de Cuza, camareiro de Herodes Antipas; Isabel, filha de um rico judeu de Tiberíades e Séforis; Marta, irmã mais velha de André e Pedro; Raquel, cunhada de Judá, irmão carnal do Mestre; Nasanta, filha de Elman, médico sírio; Milcha, prima do apóstolo Tomé; Ruth, filha mais velha de Mateus Levi; Celta, filha de um centurião romano e Agaman, uma viúva de Damasco. Mais adiante, Jesus acrescentou mais duas mulheres ao grupo – Maria Madalena e Rebeca, filha de José de Arimatéia. Perfazendo assim, doze mulheres. Assim foram doze apóstolos homens e doze apóstolas, mulheres.
 
O encargo que Jesus deu a essas mulheres quando as escolheu para ensinar o evangelho foi o de proclamar a emancipação delas e de todas as mulheres para todos os tempos; fez isso para que o homem não mais considerasse a mulher como um espírito inferior. Tal atitude foi decididamente um choque, até mesmo para os doze apóstolos que o acompanhavam de perto. E também para elas, que ficaram atordoadas quando Jesus propôs formalmente confiar-lhes a missão de instrutoras religiosas e permitiu que viajassem com a caravana do Mestre.
 
Maria Madalena, especificamente, é citada cerca de dezessete vezes no Novo Testamento. E a importância que Jesus conferia a ela ficou muito clara no episódio de sua ressurreição. Foi para Maria Madalena que Jesus se manifestou primeiramente.
 
Essa atitude de Cristo demonstra claramente o quanto ele considerava as mulheres, o respeito que tinha por elas e a confiança que devotava em seu trabalho.
 
Dessa forma, ele sinalizou que a mulher não pode ser rotulada de acordo com a opinião masculina. Ela é muito mais do que os homens podem conceder. Querer entender a mulher também é perda de tempo; nós, homens, não temos como alcançá-la. A mulher não foi feita para ser entendida, mas amada, admirada e conquistada.
 
A luta milenar das mulheres é pelo respeito. Nós, homens, temos que aprender a respeitá-las porque sem elas não existiria a humanidade. Não conseguiremos chegar perto do que significa conviver durante 9 meses com a gestação de um novo ser, e o que isso representa e provoca em sua consciência. Sem falar do mistério de um corpo que sangra todos os meses e não morre disso.
 
Para exemplificar o que digo, há uma anedota que diz o seguinte: no Jardim do Éden, Deus reuniu Adão e Eva e anunciou que trazia dois presentes para eles, à sua livre escolha. Adão saltou na frente e perguntou qual era o primeiro presente. Deus disse que conferiria a quem o aceitasse a condição de urinar em pé. Adão disse que aceitava. E, plim!, o Senhor concedeu a Adão esse dom que o deixou muito alegre. Adão, todo serelepe, saiu saltitando e urinando pelas árvores e por tudo o que encontrava; urinava fazendo desenhos na areia, não cabia em si de tanta alegria.
 
Eva, por sua vez, perguntou ao Senhor qual seria o presente que lhe caberia. E Deus respondeu: te darei o cérebro. A partir desse momento, ficou sacramentada a superioridade da mulher sobre o homem.  Apesar disso, desde sempre ela enfrenta uma luta contra a primazia dos homens em quase todas as civilizações, mas com sua inteligência tem demonstrado o acerto da decisão divina.
 
Assim, ao longo dos tempos e por tudo o que se pode observar, a mulher passou a ser senhora do seu destino, contribuindo com sua inteligência, sagacidade e intuição infinitas para tornar este mundo um lugar melhor.
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 30 Novembro 2024 às 09:00 - em: Falando Nisso


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