O governo Dilma Rousseff completou um mês sem queda de ministro na sexta-feira (14), um recorde desde a saída de Antonio Palocci da Casa Civil há pouco mais de quatro meses e de lá para cá foram cinco integrantes do primeiro escalão que tiveram de caír fora da equipe. Mas bastou a Veja ir às bancas neste fim de semana para mais um balançar. Na atual edição da revista, o soldado PM do Distrito Federal, João Dias Ferreira, acusa o ministro dos Esportes, Orlando Silva, de participação direta num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que distribui verbas a ONGs para projetos de incentivo à prática de esportes por jovens. Ferreira afirmou à "Veja" ter entregue dinheiro ao próprio ministro na garagem do ministério, em Brasília, no final de 2008. No ano passado, Ferreira foi preso pela Polícia Civil do DF sob suspeita de envolvimento no desvio de recursos do mesmo programa e, conforme nota divulgada pelo ministro para se defender da matéria da "Veja", atualmente o ministério "exige a devolução de R$ 3,16 milhões, atualizados para os valores de hoje".
"BANDIDO" – Hoje, o PM disse ter provas gravadas das acusações que fez e chamou o ministro de "bandido" em mensagem postada em seu blog. "Você está equivocado, eu não sou bandido, bandido é você e sua quadrilha que faz e refaz qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência e você sabe muito bem disso!", afirmou Ferreira em resposta ao ministro que, ontem, no México, classificou as denúncias de "uma farsa". O PM, que em 2006 foi candidato a deputado distrital pelo PCdoB em Brasília, também fez uma ameaça à direção nacional do partido, que ontem soltou uma nota em apoio ao ministro. "Sugestão: era bom o PC do B nacional ficar calado antes de sair em defesa do Orlando sumariamente."
DILMA COBRA EXPLICAÇÕES – Na manhã deste domingo, Ferreira afirmou ainda em seu blog ter sido procurado na sexta-feira (14), um dia antes da publicação da reportagem em "Veja", pelo secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do ministério, Ricardo Leyser Gonçalves. "E se tu [Orlando] não deves nada, porque [sic] mandou seu secretário nacional Ricardo Leiser [Leyser] tentar me localizar na sexta-feira, quando soube da matéria, o que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles acordos não cumpridos?". Conforme o jornalista Josias de Souza, na Folha Online, Dilma, que hoje viaja para a África do Sul, pediu, por telefone, que o ministro se explique sobre as denúncias. Comandando um ministério diretamente ligado aos bilionários investimentos da Copa do Mundo e das Olímpiadas no Brasil, caso Orlando Silva não tenha explicações realmente convincentes, as denúncias pode gerar um escândalo de repercussão internacional maculando a imagem do governo brasileiro mundo afora.