O poder da saliva Heitor Freire (*)

O poder da saliva

Vivendo e aprendendo.
 
Sou um cara curioso. Sempre estou atento ao que acontece ao meu redor. Minhas inúmeras atividades, familiares, sociais, profissionais e filosóficas, me proporcionam um ensinamento para o qual estou sempre presente. Agora, no alvorecer dos meus 86 anos, fui surpreendido com um aprendizado que me deixou de boca aberta, literalmente: o poder transformador e curativo da saliva. É mais um aprendizado de autoconhecimento.
 
A saliva humana é um fluido biológico essencial e poderoso, que atua como a primeira linha de defesa da boca. Ela lubrifica a mucosa, inicia a digestão dos carboidratos, protege contra as cáries neutralizando a acidez e possui propriedades antimicrobianas que combatem infecções, essenciais para a saúde bucal e digestiva.
 
A saliva também possui propriedades cicatrizantes, antissépticas e analgésicas que auxiliam na cura de feridas, especialmente na boca. Ela contém proteínas, fatores de crescimento e enzimas que aceleram a regeneração dos tecidos e inibem a proliferação de bactérias.
 
O cuspe em jejum (saliva matinal) é tradicionalmente associado a crenças populares de cicatrização e tratamento de feridas, graças às enzimas e proteínas de defesa que se acumulam durante a noite. Cientificamente, a saliva protege contra infecções, equilibra o PH bucal e acelera a cicatrização de lesões na boca. 
 
Engolir a saliva em jejum, após um bochecho para aumentar seu volume, é um hábito salutar, por suas propriedades preventivas e curativas e já citadas.
 
No antigo Mediterrâneo, acreditava-se que a saliva do jejum tinha propriedades curativas superiores para diversas doenças. Jesus usou saliva e barro para curar, como no caso do cego de nascença que voltou a enxergar (João 9, 6-7), e assim o fez principalmente como um gesto simbólico e pedagógico, imitando o ato da criação (Gênesis), ao moldar o homem com o pó da terra. Esse método unia o divino ao material e agia como um sinal tangível de cura para o receptor. Ao cuspir na terra e fazer barro, Jesus demonstrava que, como criador, estava "remodelando" os olhos do cego.
Na Antiguidade, a saliva era considerada um elemento com propriedades curativas, e médicos e sábios costumavam usá-la. Jesus se utilizou de uma prática familiar para transmitir confiança aos curados, como no caso do surdo-gago (Marcos 7, 33-35).
 
O milagre de fazer lodo a partir da saliva frequentemente ocorria no sábado, o que era considerado uma heresia pelos fariseus, pois segundo a Bíblia, nesse dia não se podia fazer nenhum tipo de “trabalho”. Jesus usava esse método para desafiar as interpretações rígidas da lei e mostrar que o verdadeiro propósito do sábado era a restauração da vida.
 
A saliva, muitas vezes associada à rejeição na Antiguidade, foi transformada por Jesus em um instrumento de solidariedade e de graça. Ao usá-la, Ele demonstrava proximidade física com os marginalizados, como os doentes congênitos, nos quais ninguém ousava tocar.
 
Jesus raramente curava da mesma maneira. Assim, Ele ensinava que temos dentro de nós um grande instrumento curador que, devidamente usado, poderia até produzir milagres.  
 
A saliva, por quem não tem estas informações, é frequentemente vista com nojo, asco e algum desconforto. Agora, com este aprendizado, estamos resgatando as propriedades curativas e transformadoras da saliva, restabelecendo-a no seu devido lugar.
 
Ao tomar conhecimento do poder da saliva, comecei a usá-la e constatei o seu poder. Eu tinha uma verruga no meu dedo indicador da mão direita. A partir do momento em que comecei a utilizar a saliva, aos poucos a verruga foi sumindo. Agora estou usando a saliva para eliminar uma série de manchas nas minhas mãos. Observo que essas manchas já mudaram de cor, e pelo andar da carruagem, daqui a pouco também devem sumir.
 
Enfim, vivendo e aprendendo!
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 14 Abril 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso


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