
Hipátia de Alexandria (**)
Neste momento em que nos aproximamos da data de 8 de março, dia internacionalmente dedicado à mulher, nada mais oportuno do que nos debruçar sobre a história e descobrir personagens femininas que se destacaram pela inteligência, cultura, ousadia e coragem.
Uma mulher extraordinária que viveu no século IV da era cristã foi Hipátia de Alexandria, nascida no Antigo Egito, em uma família de prestígio.
Fundada por Alexandre Magno em 332 a.C., Alexandria foi o principal centro cultural do mundo antigo e possui uma das histórias mais completas do Egito. Situada ao norte do país e com mais de 4 milhões de habitantes, Alexandria foi o principal porto do Egito e um dos mais importantes do mediterrâneo.
Hipátia era filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria. Criada em um ambiente de ideias e filosofia, ela tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além do conhecimento, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido.
Conta-se que ela, sob orientação do pai, submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de ter a mente sã em um corpo são.
Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas. Em relação à religião, buscou e obteve informações sobre todos os principais sistemas religiosos da época, tendo sempre o cuidado de não permitir que essas crenças limitassem ou deturpassem sua busca pelo conhecimento. Adolescente, viajou para Atenas a fim de completar sua educação na Academia Neoplatônica.
De volta à Alexandria, Hipátia se tornou professora na Academia onde havia feito a maior parte de seus estudos, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Aos 30 anos, ela já era diretora da Academia e escreveu muitas de suas obras nesse período. A maioria delas, infelizmente, não chegou até nós, pois foi destruída no incêndio que destruiu a famosa Biblioteca de Alexandria, ou ainda quando o templo de Serápis foi saqueado.
O que sobrou provém, principalmente, de correspondências que ela trocava com outros professores e com seus alunos. Um desses alunos foi o notável filósofo Sinésio de Cirene (370 - 413), que lhe escrevia frequentemente, pedindo conselhos. Através dessas cartas, ficamos sabendo que Hipátia foi a inventora de alguns instrumentos, entre eles o planisfério, usado na astronomia, e criou um método de divisão matemática mais eficiente do que o que havia naquela época.
Ela também construiu um hidrômetro (ferramenta para medir a densidade do líquido) e um astrolábio (instrumento náutico de navegação). Além disso, Hipátia escreveu um tratado sobre álgebra, além de comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu, cientista grego.
Em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre outro matemático grego, Euclides, e ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Quando matemáticos experientes se deparavam com algum problema em especial, recorriam a Hipátia, pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava.
Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam por que jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.
Acreditava que o universo era regido por leis matemáticas. Tais ideias suscitaram a ira de fundamentalistas cristãos, que em plena decadência do Império Romano lutavam por reconquistar a hegemonia cultural.
A tragédia de Hipátia foi ter vivido numa época de luta ferrenha entre o paganismo declinante e o cristianismo triunfante, que se impunha no mundo greco-romano. Isso sem mencionar o machismo reinante – imaginem o que deve ter sido enfrentar o mundo masculino, que detinha a primazia do acesso ao conhecimento, sendo mulher e provavelmente uma exceção absoluta. Hipátia era neoplatônica e defensora da liberdade de pensamento, o que a tornava malvista por aqueles que pretendiam encarcerar o pensamento nas celas da ortodoxia religiosa.
A morte trágica de Hipátia – acusada de bruxaria, foi linchada e teve seu corpo queimado – foi determinante para o fim de uma gloriosa fase da matemática. Foi considerada a Mártir do Paganismo.
Por sua brilhante trajetória, Hipátia foi uma mulher que deixou marcas importantes no curso da história e sua memória deve ser sempre celebrada por seu exemplo firme contra a ignorância.
(*Heitor Rodrigues Freire é corretor de imóveis e advogado)
(**Fonte: Wikipédia)
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Postado por: Heitor Freire (*), 01 Março 2025 às 09:15 - em: Falando Nisso