Heitor Freire (*)
Hara II (**)
O autoconhecimento, quando praticado de forma contínua, torna-se um meio eficaz de evolução espiritual e enriquece naturalmente a vida, uma vez que o aprendizado abre novos caminhos, consolida outros e cria novas perspectivas.
Assim, percebemos que o corpo humano é uma prova inconteste da existência de Deus. Composto por tantos órgãos, células, moléculas, átomos, neurônios e centros de energia distribuídos ao longo da cabeça, tronco e membros, nosso corpo configura uma miniatura do universo, cujo funcionamento independe da vontade de cada um. Todos os componentes têm vida própria, obedecendo a um ordenamento lógico e natural, que emana de uma fonte primordial: Deus.
Essa energia permeia o universo, envolve o ser humano e se distribui por todo o seu corpo, de forma inteligente e ativa. Cada órgão tem sua individualidade e função, e todos estão irmanados e integrados dentro do corpo de cada pessoa.
Dentro desse universo, o papel do umbigo vai além da psiquê e da biologia. Ele é, também, um ponto cármico, um nó de energias para inúmeras tradições religiosas e culturais. É nessa região da barriga, um pouco abaixo do umbigo, que se concentra a energia vital – o ki dos japoneses, o chi dos chineses e o prana dos indianos.
O nome do ponto abaixo do umbigo, em japonês, é chamado hara; em chinês é considerado o baixo dantian; e no yoga chama-se chakra esplénico. Esse centro energético é o grande reservatório de ki, chi e prana.
Descobrir e estudar o umbigo está se constituindo para mim num processo enriquecedor para o meu autoconhecimento. O mistério que envolve o umbigo o torna um enigma a ser decifrado. É como se fosse a minha esfinge pessoal. É o meu nó górdio que foi cortado, mas tenho que desatar cosmicamente.
Na busca de um entendimento maior, encontrei o livro Hara, o centro vital do homem (ed. Pensamento), escrito por Karlfried Graf Durckheim (1896-1988), um ex-diplomata alemão, psicoterapeuta da Universidade de Kiel, e mais tarde prisioneiro de guerra no Japão. Durckheim tornou-se um mestre zen que trabalhou com o conceito do hara como terapia esotérica, estudando e divulgando o seu significado, cujo entendimento tem me proporcionado um grande aprendizado. Ele escreveu:
“O hara liberta o homem da imagem de uma persona, isto é, de todas as posturas internamente não-verdadeiras pertinentes ao papel que alguém exerce no mundo ou que gostaria de representar. O hara possibilita a Gestalt (um conceito psicoterápico focado na responsabilidade do indivíduo, na experiência baseada no “aqui e agora”), que expressa a essência de um homem com singeleza, além de concretizá-la progressivamente. Assim, o homem está livre da obrigação de querer parecer, ou de ser mais do que é. A timidez, o constrangimento e a falsa submissão desaparecem. O homem que se torna consciente de suas raízes no hara posiciona-se com naturalidade e liberdade, como ele simplesmente é, nem mais nem menos, conquistando por isso sua beleza interna específica. (...)
Resumindo: a fixação no centro significa hara, garante ao homem o prazer de uma força que o torna capaz de dominar a existência de um modo diferente do que consegue com o ego. Ela é uma força que, misteriosamente, sustenta, organiza e forma o homem e que, além de solucionar seus problemas, faz dele um ser total.”
Apresento a seguir, uma prática a ser realizada por quem se interessar pelo hara, obtida pela IA:
Aplicar tensão ou "setar" o ponto hara (Seika Tanden) envolve técnicas de respiração, postura e foco mental para concentrar a energia vital (ki) cerca de 3 a 4 dedos abaixo do umbigo, no interior do abdômen. Isso proporciona estabilidade, equilíbrio emocional e aumento de vitalidade.
Aqui estão as formas de aplicar tensão no hara, baseadas em práticas orientais:
1. Respiração hara
A técnica principal para ativar essa área é a respiração abdominal profunda e consciente.
Postura: Sente-se de forma confortável (como em seiza ou com pernas cruzadas) com a coluna ereta, ou deite-se de costas.
Localização: Coloque as mãos no baixo ventre, logo abaixo do umbigo.
O movimento: Inspire pelo nariz, focando em expandir o baixo abdômen como um balão. Ao exalar, contraia suavemente o abdômen, levando o umbigo em direção à coluna.
A tensão: Mantenha o foco mental e uma leve pressão muscular no hara, como se estivesse "fechando o dreno" de um tanque de energia.
Para quem tiver um interesse maior, recomendo a leitura do livro citado.
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)
(** Este tema já foi objeto de um outro artigo, que escrevi em 2021)
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Postado por: Heitor Freire (*), 24 Fevereiro 2026 às 11:45 - em: Falando Nisso