Donald Trump anuncia tarifas recíprocas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou ontem a assessores que calculem novos níveis de tarifas para outros países, o que deve abalar as regras do comércio global e dará início a negociações intensas nos próximos meses. O etanol brasileiro foi um dos produtos citado como exemplos de disparidade entre tarifas a serem ajustadas.
No caso do combustível renovável brasileiro, conforme a Casa Branca, “a tarifa dos Estados Unidos sobre o etanol é de apenas 2,5%. Mesmo assim, o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto os EUA exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil”.
No ano passado, os EUA foram o segundo maior comprador do etanol brasileiro, só atrás da Coreia do Sul. Porém, os americanos vêm reduzindo suas compras do Brasil. Em 2024, importaram 309,7 milhões de metros cúbicos de etanol brasileiro, 16,3% do total embarcado. Em 2019, o volume havia sido de 1,1 bilhão de metros cúbicos, 63% do total, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Trump afirmou, segundo o The Washington Post, que as tarifas estrangeiras mais altas são uma barreira às exportações dos EUA de carros para a Europa, motocicletas para a Índia e carne e laticínios para o Brasil. Esse tabuleiro desigual ajudaria a explicar o déficit comercial crônico dos EUA, que no ano passado atingiu um recorde de US$ 1,2 trilhão. Em termos práticos, a abordagem de Trump equivale a acabar com a promoção de tarifas baixas sobre a maioria dos itens promovida pelos EUA há décadas, que visavam dar aos consumidores americanos acesso a produtos baratos de todo o mundo.
“Eles nos cobraram, e nós não os cobramos. E é hora de sermos recíprocos. Vocês vão ouvir muito essa palavra. Recíprocos. Se eles nos cobrarem, nós os cobraremos”, ele disse aos repórteres no início desta semana. “Se eles estiverem em 25 (por cento), nós estamos em 25. Se eles estiverem em 10, nós estamos em 10. Se eles estiverem muito acima de 25, é onde estamos também.” (Com Estadão)
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Postado por: Marco Eusébio, 14 Fevereiro 2025 às 10:30 - em: Principal