Copom eleva juros básicos da economia para 12,25% ao ano; Fiems critica
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o Banco Central aumentar o ritmo de alta dos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem, na última reunião do ano, aumentar a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava uma elevação de 0,75 ponto, e gerou críticas da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).
Em comunicado, o Copom atribuiu a elevação acima do previsto às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo. O órgão informou que elevará a taxa Selic em 1 ponto percentual nas próximas duas reuniões, em janeiro e março, caso os cenários se confirmem. Os próximos encontros serão comandados pelo futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo.
A Fiems manifestou preocupação com a decisão do Copom de elevar em um ponto percentual a Selic, afirmando em nota que isso foi uma medida inadequada diante dos sinais claros de desaceleração da economia brasileira. O presidente da Fiems, Sérgio Longen, afirmou que a alta dos juros compromete os investimentos necessários em setores estratégicos da economia. “A elevada taxa de juros afeta diretamente os investimentos no agronegócio, no comércio e na indústria. Além disso, impacta o passivo das empresas, aumentando significativamente os custos financeiros e dificultando a competitividade dos negócios”, afirmou.
Segundo ele, o ciclo de juros altos está diretamente ligado à inflação, que, por sua vez, é agravada pela falta de controle das despesas públicas. “Os juros estão altos porque a inflação pressiona para cima. E por que a inflação está elevada? Porque o governo não consegue conter suas despesas. Sem esse controle, ele recorre ao mercado, onde o dinheiro é escasso, pagando mais caro para captar recursos. Isso pressiona ainda mais os juros e dispara o dólar”, explicou. (Com Agência Brasil e Fiems)
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Postado por: Marco Eusébio, 12 Dezembro 2024 às 09:15 - em: Principal