A Rainha Vasti Heitor Freire (*)

A Rainha Vasti

Neste momento em que nos aproximamos da data do 8 de março, dia internacionalmente dedicado à mulher, nada mais oportuno do que nos debruçarmos sobre a história e descobrirmos personagens femininas que se celebrizaram por sua inteligência, cultura, ousadia e coragem. 
 
Dentre tantas mulheres que se destacaram ao longo dos tempos, há a rainha Vasti, que viveu por volta do século V antes de Cristo. Por seu comportamento impetuoso, ela acabou por contribuir na luta histórica pela independência das mulheres. 
 
Vasti, uma mulher muito corajosa, foi imperatriz da Pérsia, casada com o rei Assuero – também conhecido como o imperador Xerxes I. Sua história é contada no Livro de Ester, cap 1, 1-22, do Antigo Testamento.
 
O império do rei Assuero, cujo reino abarcava grande parte do Oriente com cento vinte e sete províncias desde a Índia até a Etiópia, detinha imenso poder e força política. No terceiro ano de seu reinado, Assuero reuniu os reis de todas as suas províncias para uma grande festa. Ao sétimo dia, quando todos já se encontravam muito alegres por causa do vinho farto, o rei quis exibir aos convivas toda a beleza de sua rainha, e então ordenou, por meio de seus eunucos, que ela se apresentasse completamente nua, usando apenas a coroa real. Ao receber a ordem, a rainha Vasti, percebendo que seria exibida como um troféu pelo marido, recusou-se a atender a ordem real. O rei ficou furioso e perguntou aos seus conselheiros como Vasti deveria ser punida por sua desobediência. Um deles, chamado Memucã, disse a ele que essa atitude da rainha fez mal não apenas ao rei, mas também a todos os maridos da Pérsia, cujas esposas poderiam ser encorajadas a desobedecê-los. Memucã aconselhou Assuero a dispensar Vasti e ir em busca de outra rainha. Assuero seguiu esse conselho e enviou um decreto real a todas as suas províncias, determinando que os homens deveriam ser os únicos chefes de suas casas, criando a submissão feminina que atravessou séculos e influenciou o comportamento dos homens em relação às suas esposas. Tempos depois, Assuero escolheu Ester como sua rainha para substituir Vasti.
 
Até hoje, a recusa de Vasti em obedecer à convocação de seu marido bêbado e narcisista vem sendo admirada como heroica em muitas interpretações feministas do Livro de Ester. As primeiras feministas já admiravam os princípios e a coragem de Vasti. 
 
Harriet Beecher Stowe (1811-1896), escritora americana, autora do livro A cabana do Pai Tomás, considerou a desobediência de Vasti "a primeira posição pelos direitos da mulher".
 
Harriet foi influente tanto por seus livros quanto por suas posições públicas e debates relativos a questões sociais da época.
 
Também Elizabeth Cady Stanton (1815-1902), feminista americana, ativista social, abolicionista e liderança do movimento pelos direitos das mulheres, escreveu que Vasti "acrescentou uma nova glória aos [seus] dias e à sua geração... por sua desobediência; pois a 'resistência aos tiranos é obediência a Deus.'"
 
Assim, Vasti transformou-se num exemplo de dignidade e coragem pela ousadia de ter desobedecido a uma ordem real, ainda mais numa época em que essa desobediência poderia até custar a vida de quem se atrevesse a contrariar o rei.
 
A luta pela emancipação feminina continua, e tem sido árdua. De tempos em tempos, figuras históricas se bateram pelo direito das mulheres, e a rainha Vasti foi um dos primeiros símbolos dessa resistência.
 
(*Heitor Rodrigues Freire – corretor de imóveis e advogado)


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Postado por: Heitor Freire (*), 08 Março 2025 às 09:00 - em: Falando Nisso


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