Categorias de pensamento e ideologia começam a ser escrutinadas à medida que o dia 12 de abril se aproxima. Quem representa o mal e quem detém o patrimônio de todas as virtudes? Essa é uma boa hora para o maniqueísmo de ocasião. O debate sobre o melhor modelito comportamental para se vestir neste momento ferve em redes sociais, na imprensa e nas esferas acadêmicas. Com isso, velhos fantasmas estão de volta. Nas pontas desse processo a esquerda e a direita fomentam discussões típicas dos anos 70. Em vez de serem solenemente desprezadas, ocupam o centro do palco. É incrível: o tempo passa, mas o mundo muda muito pouco.
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O nível de credibilidade dos governantes brasileiros encontra-se numa linha tênue entre nada e coisa nenhuma. Trata-se de um patrimônio construído com zelo e competência durante anos e anos. De certa maneira, qualquer pessoa ou instituição (seja pública ou privada), atualmente sob suspeita de estar envolvida com fatos nebulosos, entra na mira da desconfiança coletiva, independentemente de ser culpado ou inocente.
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Na manifestação do dia 15, na praça do Rádio, a turma que levantava cartazes pela intervenção militar no País era um pequeno borrão no colorido geral. Não pela quantidade de pessoas (que era ínfimo), mas pela indiferença com que eles eram tratados. Fiquei curioso e fui conversar com os defensores dessa bandeira maluca. Perguntei a eles se conclamar os militares para o jogo político não seria um despropósito. O que ouvi como resposta foi o seguinte: “Queremos os militares de volta porque o PT não deixará o poder pelo processo democrático; eles se incrustaram organicamente na máquina do Estado e estruturaram um modus operandi para comprar votos dos pobres e ignorantes usando dinheiro da corrupção; com eleição, eles não saem, só com intervenção temporária das Forças Armadas”. Esse é o argumento fechado desses caras. Tremi. Lembrei-me do filme “O ovo da serpente”, de Bergman.
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O pior de todos os atos promovidos por “líderes” de “movimentos” virtuais – sem quaisquer características de se observarem coletivos organizados, mas perigosamente monocráticos, individuais – foi o protagonizado por um grupo de duas mil e quinhentas pessoas que encerraram sua passeata no centro do Rio, diante de um quartel-general do Exército, implorando a “volta dos militares” ao poder. É, no mínimo, um verdadeiro atentado à memória das centenas deram a vida, que foram mortos por pensarem diferentes dos que na época governavam com a baioneta.
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Causa estranheza a decisão unilateral do atual governo do estado de mudar a data do Festival América do Sul da última semana de abril para a primeira de junho, mês em que acontece a Festa do Banho do São João, invariavelmente na segunda quinzena. Não é preciso ser técnico em eventos para antever que essa péssima coincidência prejudicará, em primeiro lugar, a cultura popular e os agentes culturais de Corumbá, município-sede do festival e referência no tradicional festejo junino. Tal gesto vem denunciar a indiferença com que os três últimos mandatos do Executivo estadual com a cultura regional emanada do Pantanal transfronteiriço (leia-se Corumbá e fronteiras).
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Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado. Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci. O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
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