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Estudo mostra aumento do número de casos em MS: na foto simulação de acidente em empresa de Epitácio

Postado por Marco Eusébio , 03 Julho 2017 às 15:45 - em: Principal

O número de casos de vazamentos de amônia em frigoríficos, laticínios, indústrias de refrigerantes e outras empresas que se mantinha de uma a duas ocorrências anuais de 2003 a 2012, está aumentando perigosamente em Mato Grosso do Sul. Foram cinco casos no ano passado, com 25 pessoas intoxicadas e feridas. E seis só nos primeiros seis meses de 2017, com 198 vítimas. É o que aponta estudo inédito feito com base em registros da imprensa pelo professor de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Dario Pires. O químico alerta sobre a necessidade urgente de um controle e fiscalização mais rígidos dos governos federal e estaduais devido à volta do uso da amônia na refrigeração industrial.
 
Usada para refrigeração pela primeira vez em 1876 em uma máquina de compressão à vapor por Carls Von Linde, a amônia foi até o início do século passado um dos principais refrigerantes industriais. Porém, com o desenvolvimento dos clorofluorcarbonos (CFCs) em 1920 nos EUA, considerado menos perigoso do que substâncias químicas, estes passaram a ser usados como propelentes de aerossóis de perfumes e inseticidas, como líquidos refrigerantes em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, e como gases expansores para a produção de polímeros na forma de espumas.
 
Na década de 70 veio a descoberta do risco dos CFCs para a camada de ozônio que protege a Terra. Em 1987, 47 países, inclusive o Brasil, assinaram o chamado Protocolo de Montreal, que passou a vigorar em 1989, se comprometendo a reduzir a emissão de substâncias nocivas à camada de ozônio. Com isso, a amônia voltou a ser usada como refrigerante industrial. As medidas de prevenção aumentaram. Em novembro, por exemplo Bombeiros de MS participaram de simulação de socorro a vítimas em simulação de vazamento de amônia na empresa Rousselot Gelatinas do Brasil, em Presidente Epitácio (SP) na divisa com o estado.
 
Porém, o professor da UFMS alerta: "Por se tratar de produto tóxico, corrosivo e explosivo, há necessidade urgente de um controle e fiscalização mais rígidos devido aos graves riscos que a falta de equipamentos e manutenção constante e adequada proporcionam". E o problema pode ser ainda muito mais grave. Dario Pires explica que, dependendo da direção dos ventos e dos fatores climáticos, o vazamento do produto químico pode afetar a comunidade vizinha em um raio de até 500 metros.