Campo Grande, Domingo , 19 de Novembro - 2017


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Garimpando História

Jânio na época de presidente: curto mandato e muitas histórias

Postado por Marco Eusébio , 21 Maio 2016 às 12:00 - em: Garimpando Historia


Tancredo candidato a deputado por São João Del Rey

Postado por Marco Eusébio , 14 Março 2016 às 13:30 - em: Garimpando Historia

 
"Tancredo Neves era promotor em São João Del Rey, em Minas.
 
Um homem chamado Jesus matou uma mulher chamada Madalena. Tancredo pediu 22 anos de cadeia para Jesus, o júri deu 18, Jesus foi para a cadeia, Tancredo esqueceu. 
O tempo passou. Nove anos depois, Tancredo advogado, vai a Andrelândia, pequena cidade próxima a São João Del Rey. De barba por fazer, entra em modesta barbearia de canto de rua, senta-se, está cansado, fecha os olhos, o barbeiro pega a navalha, afia, começa a tirar-lhe a barba, puxa conversa :
 
— O senhor é o Dr. Tancredo Neves, né ?
 
Tancredo abre os olhos, reconhece Jesus, o assassino de São João Del Rey. Espia pelo canto do olho, a barbearia vazia, a rua vazia, não chegava ninguém, não passava ninguém, o suor minava aflito na testa molhada e Jesus com a navalha enorme na mão pesada correndo garganta abaixo, sobe-desce, sobe-desce, abrindo caminhos na espuma.
 
Jesus ficou só espiando. Tancredo só teve voz para dizer:
 
— Sou, sim.
 
— Pois é, Dr. Tancredo, a vida.
 
— Pois é, Jesus, a vida.
 
— Cumpri nove anos dos 18, estou aqui, o senhor aí, o senhor com sua barba, eu com minha navalha. Só queria lhe dizer uma coisa, Dr. Tancredo.
 
Tancredo suava, Jesus corria a navalha pelo pescoço :
 
— Que coisa bonita é um júri, hein, Dr. Tancredo? Que coisa mais bonita, que discursos bonitos que o senhor e o outro doutor fizeram!"
 



Dona Nilda e o marido Lúdio Coelho: sabedoria da roça

Postado por Marco Eusébio , 07 Janeiro 2016 às 18:00 - em: Garimpando Historia

Retratista da história contemporânea de Campo Grande, o repórter-fotográfico Roberto Higa citou no Facebook que, com a volta da crise e da inflação, quando ele vê "nas TVs" hoje em dia "economistas e outros entendidos" citarem fórmulas para escapar delas, se lembra do que o ex-prefeito Lúdio Coelho e sua primeira-dama Dona Nilda (ambos in-memorian) ensinavam no início dos anos 80 aos moradores dos bairros da cidade.
 
O Higa relata:
 
– "Toda família tem que ter em casa dois pregos na parede (de preferência na cozinha), onde você coloca 'o que tem a pagá' e, no outro, 'o que tem pra recebê'. E, numa cadernetinha, vai anotando: no mês de janeiro gastei de água tantos 'mirréis', de luz mais tanto, de mercadinho mais tanto, de açougue mais tanto... No mês de fevereiro a mesma coisa e assim por diante (sempre tentando economizar o que puder no mês seguinte). Lá pelo mês de outubro, já vai economizando, porque em dezembro vai ter que comprar uns vestidinho e sapatinhos prás meninas, umas butinas pros meninos e tem que sobrar alguns trocados pras festanças. Enquanto isso, a Dona Nilda ensinava, de maneira econômica, fazer bolinho de arroz, de sobra do frango do domingo e 'otras cositas mas'".
 
Velhos tempos!
 



Lacerda: era dos tribunos

Postado por Marco Eusébio , 12 Dezembro 2015 às 13:40 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato em suas Porandubas Políticas:
 
"O grande tribuno Carlos Lacerda, da UDN, fazia inflamado discurso na Câmara dos Deputados, quando um colega pediu aparte:
 
– Vossa Excelência pode falar o quanto quiser, porque o que me entra por um ouvido sai imediatamente pelo outro.
 
Ao que lhe respondeu Lacerda:
 
– Impossível, nobre colega. O som não se propaga no vácuo."
 



Erney e o inseparável crucifixo do Vaticano

Postado por Marco Eusébio , 26 Novembro 2015 às 16:30 - em: Garimpando Historia

Quem encontra Erney Barbosa (PT), o jovem prefeito da pequena e pacata cidade de Jardim, pode até pensar que o homem é padre. Em seu peito chama a atenção um inseparável crucifixo prateado que, reza a lenda, só tira na hora do banho. Foi promessa. 
 
Erney conta que em suas andanças de campanha poucos anos atrás, visitou uma eleitora chamada dona Antônia, de 80 anos. A senhorinha, muito simpática, contou que iria lhe revelar um segredo. Foi lá dentro, pegou uma caixinha vermelha que guardava com muito zelo, e entregou ao visitante. 
 
– "Isso vai lhe dar sorte. Era do Papa João de Deus. Não deixe nunca de usar."
 
Barbosa ficou a princípio incrédulo. Até a devota Dona Antônia contar que, quando João Paulo II visitou Campo Grande em outubro de 1991 e celebrou a missa campal no lugar que ficou conhecido como a "Praça do Papa", vários fieis tentavam chegar perto dele. Em meio ao calor, o papa foi pegar um lenço e deixou cair o crucifixo. Ela pegou o objeto e tentou devolver, mas os seguranças não a deixaram se aproximar do santo pontífice. Daí guardou com carinho a peça, que tem o símbolo do Vaticano.
 
Erney me disse que a corrente se rompeu por quatro vezes e, com medo de perder a peça, mandou fazer um correntão de prata, difícil de quebrar, que torna ainda mais vistoso o adereço. Afinal, para ele o talismã parece ter dado sorte. Em quatro anos de política virou vereador e prefeito de sua cidade.
 



Palácio Monroe, antiga sede do Senado quando o Rio era capital da República

Postado por Marco Eusébio , 10 Agosto 2015 às 10:15 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato nas suas Porandubas Políticas:
 
"Uma historinha do cacique maranhense Vitorino Freire.
 
Vitorino estava em casa com gripe e muita febre. Recebeu telegrama do Senado (então no Monroe, na Cinelândia, Rio) para ir urgente a uma reunião da Comissão de Finanças, que dependia de sua presença. Lá fora, chovia para valer. Agasalhou-se, pôs suéter, cachecol, capa, chapéu e saiu para pegar um táxi. Não vinha táxi. Entrou numa farmácia para tomar injeção. Quando tirou a capa e o paletó, apareceu o revólver. Ia passando uma rádio-patrulha, viu, parou, chamou:
 
– O senhor é policial, tesoureiro, caixa de banco ?
 
– Não.
 
– Tem porte de arma ?
 
– Também não.
 
– Então o senhor vai ter de ir até o comando da polícia.
 
Vitorino entrou na RP e eles tocaram para a cidade. Quando chegou na Cinelândia, falou grosso:
 
– Para aí que vou saltar.
 
– Não. O senhor vai até o comando.
 
– Comando coisíssima nenhuma. Vou é para o Senado.
 
Sou o senador Vitorino Freire.
 
– Por que o senhor não avisou antes?
 
– Porque estava precisando de uma carona e não tenho preconceito contra automóveis. Rodou, serve."
 
(Da verve de Sebastião Nery)
 



Valter e André: encontros e desencontros

Postado por Marco Eusébio , 03 Julho 2015 às 17:00 - em: Garimpando Historia

Reza a lenda que no dia seguinte à vitória de Moka na disputa pela candidatura ao Senado em prévias do PMDB de Mato Grosso do Sul em 2010, o então governador André Puccinelli, que apoiou o vencedor, foi cedo à casa do então senador Valter Pereira, derrotado na disputa, tomar um café.
 
André teria tentado consolar Valter, lembrando que também havia perdido prévias no partido para um candidato apoiado por ele...
 
– "Isso passa. Quando eu achei que teria apoio do partido para ser vice na chapa do doutor Wilson nas eleições de 1994 e vocês apoiaram o Braz Melo (ex-prefeito de Dourados) também fiquei bastante chateado. Mas esqueci, seis meses depois."
 
Valter, então, teria retrucado:
 
– “Sei que passa... Dezesseis anos depois, você faz questão de vir aqui para me dizer isso."
 
Poucos dias depois das prévias e da inesperada visita, Valter, um histórico do PMDB regional, deixou a sigla.
 



Getúlio Vargas, um mestre da persuazão

Postado por Marco Eusébio , 23 Março 2015 às 19:30 - em: Garimpando Historia

Essa é uma das lendas sobre Getúlio Vargas, descrita no livro "Como persuadir, falando" de Marques Oliveira. 
 
Dizem que o presidente costumava ceder audiências no Palácio do Catete, no Rio, a qualquer pessoa do povo que o procurasse. Atendia reclamações e dava decisões salomônicas a eventuais divergências.
 
Dois comerciantes brigaram e foram procurar o homem para saber quem tinha razão. O presidente os recebeu separadamente, conforme o costume.
 
Entrou o primeiro e explicou o caso. Getúlio deu-lhe toda a razão. O sujeito saiu todo sorridente e nem cumprimentou o outro, satisfeito com a resposta.
 
Preocupado, o segundo comerciante entrou assustado, expôs eloquentemente sua versão da história e indagou quem tinha razão. Getúlio, meneando a cabeça pensativamente, respondeu:
 
– "O senhor tem toda a razão".
 
E saiu também todo feliz o segundo comerciante.
 
Dona Darcy Vargas, que assistiu toda a cena, explodiu com o marido:
 
– "Getúlio. Você deu razão ao primeiro e em seguida deu razão ao segundo. Acho que isso está absolutamente errado e não é atitude digna de um presidente."
 
Getúlio volta-se para ela, france o cenho como se considerasse seriamente a questão e diz, convicto:
 
– "Darcy, você tem toda a razão!"
 
Mestre da persuazão que foi, Getúlio dava razão a todo mundo. E todo mundo fazia o que ele queria.
 



Tenório, o homem da capa preta

Postado por Marco Eusébio , 20 Março 2015 às 16:30 - em: Garimpando Historia

Do Gaudêncio Torquato nas suas Porandubas Políticas:
 
"Tenório Cavalcanti, udenista e adversário político de Vargas, foi ao Catete numa comissão de deputados. Andava nas manchetes dos jornais por causa de suas estripulias em Caxias, na base da 'Lourdinha' (metralhadora) e da capa preta. Getúlio o cumprimentou, olhou bem para o volume do revólver embaixo do braço esquerdo, sob o paletó :
 
– Deputado, o senhor está armado?
 
Tenório ficou vermelho, mas não perdeu o bote :
 
– Sim, presidente, armado de admiração por V. Excelência."
 



Dante, nos tempos de Correio do Estado, relembra o colega Jorge Franco

Postado por Marco Eusébio , 11 Fevereiro 2015 às 12:45 - em: Garimpando Historia

Por Dante Filho, especial para o Blog:
 
Jorge Franco era um cara temperamental. Trabalhamos juntos no Correio do Estado lado a lado. Ele era editor de Esportes. Eu escrevia os editoriais do jornal. 
 
Um dia escrevi um texto furioso criticando a "turma da boquinha" do setor cultural de Campo Grande. O editorial logo cedo causou grande comoção e perplexidade entre artistas e intelectuais. 
 
Cheguei lá pelas 9 horas na redação e encontro Cristina Medeiros recebendo inúmeros telefonemas de protesto. Havia um clima pesado. Artistas são amigos de jornalistas, sabe como é. Ela não tinha lido o texto e estava confusa com o que estava acontecendo. 
 
Assim que ela me viu partiu para cima de mim com o jornal em punho. Aos gritos. 
 
Tentei manter a calma, pedindo primeiro que ela lesse o texto e que depois converssasse comigo. Eu estava calmo e achando aquilo tudo engraçado. Todos estavam nervosos, inclusive Jorginho. Mas quando cristina extrapolou, não me controlei e gritei com ela exigindo que, primeiro, ela lesse o texto para fazer uma avaliação correta dos protestos da "categoria". 
 
Nesse momento, Jorginho interfere e grita comigo também, defendendo Cristina. E não se fez de rogado: 
 
– "Vamos lá pra fora resolver esse assunto como homens. Vou te quabrar a cara!!!!"
 
Eu não aguentei e comecei a rir. Ele também. 
 
E logo em seguida voltamos para a nossas mesas e começamos o trabalho do dia. Achando tudo aquilo uma grande piada.
 
(Uma singela homenagem in memorian ao já saudoso jornalista, que era um bom contador de histórias, Jorge Franco, o Jorginho)